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sábado, 9 de agosto de 2014

ALCOOLISMO AFASTOU QUASE 100 MIL DO EMPREGO NOS ÚLTIMOS 6 ANOS

Doença rompe ligação com a família e com o trabalho.
Em 2013,16.480 pessoas foram afastadas por causa da doença.
 Nos últimos seis anos quase 100 mil brasileiros se afastaram do emprego ou foram demitidos por causa do alcoolismo, afirma o Ministério da Previdência. A doença é grave e costuma romper a ligação que os dependentes tinham com a família e com o trabalho.
O primeiro passo do ajudante de frete José Robério foi admitir que o problema existia. O segundo, procurar ajuda e, a partir daí, resistir, segurar, enganar a vontade de beber. Ele não bebe há 40 dias “Pretendo continuar assim, sem bebida alcoólica”, afirma.
O comerciante Paulo Chaves, dono de um botequim, faz o pedido semanal para repor o estoque. São R$ 500 em compras só de bebidas alcoólicas. As chamadas bebidas quentes, como a cachaça, são as mais vendidas. Ele diz que quem busca uma desculpa para beber, encontra muitas: “Está bebendo porque fez um mal negócio ou porque está chateado ou porque bebeu demais no dia anterior, tem que beber uma para sarar a ressaca. Tem essas coisas”.
“Acaba sendo gerado um problema para a Previdência em termos financeiros. A pessoa deixa de contribuir para a Previdência, porque está com direito a benefício e ainda gera despesa com o benefício”, explica Alexandre Zioli, coordenador de atuária do Ministério da Previdência Social.
Um homem que sofre com o alcoolismo e prefere não se identificar conta que o encontro com o álcool foi um azar. Ele tinha 14 anos e estava começando a vida profissional em um grande banco. Hoje, aos 45 anos, trabalha como ambulante: "Enquanto eu estava bebendo, eu não parei em lugar nenhum. O álcool foi extremamente massacrante e impeditivo de que eu viesse a ser um ser de produção".
Mesmo sem beber há 13 anos, ele ainda não conseguiu restabelecer os vínculos familiares. "Eu, particularmente, sou extremamente só", relata.
Segundo a psicóloga Janete Pinheiro, que trabalha em uma clínica de reabilitação, a tolerância das famílias tem limite e aconselha que elas procurem ajuda para evitar um mal que pode ser ainda maior: o abandono do parente. “Sozinho esse caminho é bastante tortuoso porque ele ainda tem muito desejo de beber. Então, ele vai ficar brigando com isso. Entre andar nas pedras e beber sempre foi mais fácil beber”, orienta a especialista.
Em 2009, 13.797 pessoas foram afastadas do trabalho e receberam auxílio-doença por causa do alcoolismo. No ano passado, o número saltou para 16.480 afastamentos.


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CIGARROS CONTRABANDEADOS TORNAM O TABAGISMO AINDA MAIS PERIGOSO: ENTENDA POR QUÊ

Pesquisa brasileira analisou 18 marcas contrabandeadas do Paraguai e mostra concentração ainda mais alta de metais cancerígenos e agentes de contaminação como colônias de ácaros e fungos.

Se de um lado o Brasil é considerado uma notável exceção no combate à epidemia tabagista no mundo, por outro, precisa lidar com o fato de que o cigarro contrabandeado já representar 30% do mercado brasileiro. A explosão do consumo de marcas ilegais que entram com facilidade pelas fronteiras do país – a Receita Federal só consegue apreender entre 5% a 10% dos cigarros contrabandeados – agrava os problemas de saúde da população que fuma. Segundo o Ministério da Saúde, o tabagismo é responsável por 200 mil mortes por ano no país.
Pesquisa desenvolvida desde 2012 na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) desvenda o que está por trás desse cigarro que vem do Paraguai: pêlo de animais, terra, areia vestígios de plásticos, restos de insetos, colônias de fungos, ácaros e metais cancerígenos como chumbo, cádmio, níquel, cromo e manganês. Um dado assustador mostra que algumas marcas contrabandeadas têm quantidade de chumbo 116 superior à encontrada nas que são vendidas legalmente no Brasil. Para quem não sabe, o chumbo é um metal extremamente tóxico relacionado, inclusive, à malformação de fetos. Outro exemplo é a quantidade de nicotina de um cigarro paraguaio ser de dez a 20 vezes superior do produto nacional. (veja outros resultados ao final da matéria).
Pela primeira vez, a população brasileira tem informações inéditas de dados quantitativos e valores exatos de agentes de contaminação e metais pesados tóxicos encontrados após análise científica rigorosa. “Se para a saúde já é ruim o cigarro legalizado, esses dados mostram quão mais danosos são os ilegais. Antes desse trabalho, apenas ouvíamos, de forma generalizada, que o produto ilegal era pior. Agora, podemos provar que são mais perigosos”, alerta o coordenador do Grupo de Pesquisa Química Analítica Ambiental e Sanitária (QAAS) da UEPG, Sandro Xavier de Campos.
O trabalho, que se vai se estender até 2015, envolve sete pesquisadores e a avaliação de 18 marcas, traz à tona outro dilema: “Quem fuma já sabe os malefícios do cigarro. Essa relação com o vício é psicológica, a pessoa se sente angustiada por não conseguir sair disso. Se o preço do cigarro aumenta, ela precisa gastar mais para sustentar a dependência. Comprar um produto mais barato pode diminuir um pouco essa angústia, a autocobrança. Um peso grande para o viciado é o dinheiro que se gasta”, reflete Sandro.
Isso porque, entre as medidas adotadas pelo governo brasileiro nos últimos anos, está a que acarretou no aumento do preço do cigarro em função da elevação de impostos. Em dezembro de 2011, foi criado um novo modelo tributário e, em dois anos, o preço do cigarro mais barato subiu 60%, de R$ 2,50 para R$ 4,00. “É um movimento mundial de políticas antitabagistas. Em países europeus também têm crescido o consumo de cigarro contrabandeado e um dos fatores principais é a taxação”, pontua o especialista.
Na pesquisa, os nomes das marcas não foram divulgados. Mestrando em química aplicada da UEPG, Cleber Pinto da Silva é o autor do trabalho. Ele esclarece que citar os nomes poderia gerar uma comparação entre as marcas avaliadas e o objetivo está longe de ser esse. “O mais importante é o fumante entender que, ao optar por um cigarro paraguaio, ele está se expondo a riscos maiores de desenvolver doenças relacionadas ao tabagismo”, diz. O pesquisador explica que, se o cigarro contrabandeado tem duas vezes mais chumbo comparado às marcas nacionais, significa dizer que o fumante vai absorver mais esse metal. "Quanto mais poluente e mais metal, maior a probabilidade de desenvolver um problema de saúde”, alerta. Segundo ele, as enfermidades relacionadas ao tabagismo – câncer, doenças respiratórias e cardíacas - são as que mais matam no mundo atualmente. “A relação com o câncer de pulmão é de 90%”, afirma.
A pesquisa da UEPG avaliou também as duas marcas nacionais mais vendidas no Brasil para comprovar que elas são “mais seguras” do ponto de vista de rigor na produção. “Qualquer cigarro, tanto nacional quanto paraguaio, faz mal a saúde”, reforça Cleber. Para se ter uma ideia, a quantidade de nicotina de um cigarro paraguaio é de dez a vinte vezes mais que do nacional. O especialista conta que só conseguiu achar um pedaço de plástico, muito pequeno, em apenas um cigarro das marcas brasileiras avaliadas. “A probabilidade é de 99% de achar algum elemento no cigarro paraguaio. A gente encontrou a ponta de um filtro inundada de ácaros, isso vai direto para o pulmão”, alerta. Lembrando que, no Paraguai, esse produto é legalizado e tem, inclusive, registro.
ENTENDA O IMPACTO NA SAÚDE:
Cleber Pinto da Silva explica que cada cigarro produzido em diversas partes do mundo tem uma quantidade específica de metais. Dessa forma, a pesquisa comparou o cigarro contrabandeado do Paraguai não apenas com os nacionais, mas com marcas já avaliadas em pesquisas internacionais.
Cromo
Uma das marcas analisadas que corresponde a 12,99% das apreensões no Brasil apresentou níveis de cromo muito superiores a qualquer estudo já realizado. A concentração encontrada foi 11 vezes maior do que os valores máximos das falsificações do Reino Unido e acima de 33 vezes ao relatado em estudos com cigarros comercializados legalmente no Brasil.
Vários estudos apontam o Cromo como um dos possíveis responsáveis pela causa nas dificuldades na respiração, tosse, formação de úlceras, bronquite crônica, diminuição da função dos pulmões, pneumonia e alguns tipos de câncer.
Chumbo
Outras marcas apresentaram o dobro de chumbo do que o valor médio encontrado em cigarros comercializados legalmente em países como o Paquistão e valores superiores a 116 vezes ao encontrado, em média, em cigarros vendidos legalmente no Brasil.
O chumbo é um metal extremamente tóxico e pode afetar cérebro, rins e sistema nervoso. Pesquisas relacionam o aumento nos níveis desse metal com a redução do quociente de inteligência e, recentemente, associaram o chumbo presente no tabaco ao mau desenvolvimento de fetos.
Níquel
A concentração de níquel encontrada em algumas amostras foi três vezes superior ao relatado em pesquisas de diversos países como Índia e China. Considerando essa média de concentração e supondo que uma pessoa consuma 20 cigarros por dia, a quantidade de níquel absorvido será 10 vezes superior ao de um fumante que consome cigarros legalizados no Brasil.
O níquel é um agente altamente genotóxico e pode causar mutações no DNA, alergias de pele, fibrose pulmonar, problemas nos rins e envenenamento do sistema cardiovascular.
Manganês
Duas das marcas analisadas (correspondentes a mais de 14% do volume de contrabando apreendido) apresentaram concentrações de manganês acima de seis vezes ao encontrado em cigarros comercializados legalmente no Paquistão.
O manganês em altas concentrações pode gerar um grave quadro toxicológico e pode causar uma doença conhecida como manganismo, com sintomas semelhantes ao Parkinson. Por ser neurotóxico, pode estar associado ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.
pH dos cigarros
Resultados preliminares com sete marcas de cigarros contrabandeados mostram pH básico, ou seja, acima de 7.
Estudos realizados na Europa e EUA indicam que o pH influencia na absorção da nicotina e quanto mais básico é o cigarro mais nicotina é disponibilizada para absorção do organismo.
Marcas mais vendidas no país:
Eight: 36,5% / 416,1 milhões de maços (8,322 bilhões de cigarros)
Classic: 9,6% / 109,44 milhões de maços (2,188 bilhões de cigarros)
San Marino: 7,5% / 85,5 milhões de maços (1,7 bilhão de cigarros)
Bill: 4,7% / 53,58 milhões de maços (1,07 bilhão de cigarros)
US Mild: 4,6% / 52,44 milhões de maços (1,05 bilhão de cigarros)


FONTE: Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF). / Diário de Pernambuco
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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Clínica de tratamento para Dependência Química e Alcoólica Up Life

A Clínica de tratamento para dependentes químicos e alcoólicos Up Life, está localizada na Estancia Turística de São Roque, no Estado de São Paulo.
Com localização privilegiada, a clínica para tratamento de dependência química e alcoólica Up Life oferece tratamento especializado, com equipe multidisciplinar composta de psiquiatra, psicólogo, terapeutas, enfermagem, socorrista, educadora física, nutricionista e conselheira.
A Clínica de tratamento para dependentes químicos e alcoólicos Up Life oferece diversos tipos de acomodações em 4 alas diferenciadas. Oferece também infraestrutura para lazer contando com quadra poliesportiva, 2 piscinas, academias, mesas de jogos e bosque para reflexão.
Para maiores detalhes sobre o programa terapeutico, fotos e localização acesse: www.clinicauplife.com.br ou ligue para 11 4714-1079 / 7797-7969 (plantão 24 horas).



ESPECIALISTAS SUGEREM MUDANÇAS NO COMBATE AO CRACK

Médicos pedem mais tempo de internação e ampliação da rede de apoio aos usuários.


Médicos ligados à luta contra o crack afirmam que os elevados índices de recaída e reinternação apontados por uma pesquisa gaúcha — quase 90% dos jovens voltam a fumar a pedra três meses após receber alta — reforçam a necessidade de aprimorar o método de tratamento no país.
Segundo especialistas, o sistema público ainda oferece poucos leitos, períodos curtos de internação e não consegue acompanhar o usuário após a alta para prevenir ou reverter eventuais recaídas. Um dos principais problemas, para o psiquiatra e ex-diretor do Hospital Psiquiátrico São Pedro Luiz Carlos Illafont Coronel são as "altas precoces" dos dependentes — geralmente, o período de internação autorizado pelo SUS é inferior a um mês.
— Na Inglaterra, se preveem internações de 30 a 90 dias para depressão grave, o que poderia servir como um parâmetro. Mas o ideal é que o prazo dependesse apenas da condição do paciente. O que se faz hoje é absurdo — afirma o psiquiatra.
Coronel afirma que, segundo levantamentos realizados no país, ao redor de um terço das mortes de usuários de crack são motivadas por altas antecipadas — por razões de saúde ou causas indiretas como envolvimento com a criminalidade ou traficantes. Outra dificuldade é a falta de leitos psiquiátricos — que já chegaram perto de 200 mil no país e hoje estão em 32 mil. Segundo um relatório elaborado por sete entidades médicas, o Estado perdeu 36,7% dos leitos de psiquiatria entre 1993 e 2013.
Em consequência, dependentes como o trabalhador autônomo Solon Santos da Silva Filho, 37 anos, recorrem a sucessivas internações e lidam com uma frequente falta de vagas. Ele está em seu quinto tratamento desde 2010: já passou por três internações em clínicas pelo SUS e está na segunda temporada em uma comunidade terapêutica, de Gravataí. Nas clínicas, conseguiu ficar no máximo um mês, o que considera "muito pouco". Também precisou superar obstáculos para garantir leito:
— Na minha segunda internação, tive de recorrer a uma ordem judicial para conseguir vaga. Mesmo assim, não adiantou e recaí. Agora, já estou há oito meses e 10 dias na comunidade terapêutica — conta.
O presidente da Associação de Psiquiatria do Estado e conselheiro da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Carlos Salgado, afirma que é necessário investir em ações como medicina comunitária, que permita acompanhar o dependente fora do hospital, aumentar a oferta de leitos psiquiátricos e aprimorar o treinamento dos profissionais de saúde para lidar melhor com a epidemia da droga.


Fonte: Zero Hora - por Marcelo Gonzatto

sábado, 20 de abril de 2013

ME SEPAREI POR AMOR E AINDA ACREDITO EM UM FINAL FELIZ PARA NOSSA HISTÓRIA

“Me separei por amor e ainda acredito em um final feliz para nossa história”

Mãe de três filhos, pós-graduada e apaixonada por um dependente químico, Polyana diz ter aprendido amar o próximo como ama a si

Polyana, pela segunda vez, é paciente secundária da dependência química. A primeira ela experimentou no papel de filha: “Aos 16 anos, meu pai morreu de overdose”.
A segunda, ainda está em curso. O marido, pai de dois dos seus três filhos, está internado para tratar o uso compulsivo de crack e cocaína.

Na primeira experiência, ela não compreendeu que o próprio comportamento poderia ser nocivo e precisava ser tratado. Agora, aos 35 anos, entende o conceito de codependente e diariamente comprova que o amor que sente pelo marido não pode ser transformado em ingrediente para a doença dele ou em gatilho para a ansiedade e depressão dela.

Hoje ela prepara o segundo livro sobre o assunto, com a experiência do blog "Amando um dependente químico". Todas as obras foram assinadas com o pseudônimo Polyana.
“Ainda acredito em um final feliz para a nossa história e esse otimismo que me persegue é muito 'poliano'”, diz ela, em referência ao romance infanto-juvenil do início dos anos 80, que acabou transformando o nome da protagonista em sinônimo para visão otimista.
“Sou formada, pós-graduada e casada com um dependente químico. É um problema que pode acontecer com qualquer um. Entendi que os dias de dores podem ser seguidos por dias de superação”, diz ela, que mora em Brasília e hoje trabalha para ajudar pessoas com histórias parecidas. Leia a entrevista.

A história com o seu pai, de alguma forma, interferiu na história com o seu marido?
Polyana: De alguma forma, acredito que sim. Meu pai usou droga dos 17 aos 51 anos, idade em que morreu por causa de uma overdose. Eu cresci vendo um pai alienado, depois alucinado e depois ausente. Não tinha uma noção exata, mas de certa forma avalio que esta experiência criou em mim uma tolerância às drogas. Ficou marcado em mim que tudo que eu não pude fazer por ele eu faria por outra pessoa. Tanto que conheci meu marido em um bate-papo virtual e desde o primeiro momento ele me disse que era usuário de cocaína. Eu morava em Brasília e ele nos Estados Unidos. Uma das primeiras perguntas que fiz foi se ele tinha algum vício. A resposta afirmativa poderia ter afastado outra pessoa, mas em mim despertou a curiosidade de saber mais sobre aquela história. Hoje tenho a certeza que já era o meu comportamento codependente, essa necessidade de salvar. Nos falávamos diariamente, por telefone, e surgiu algo mais. Óbvio que não era por causa da droga. Ele é admirável, inteligente, parceiro. Nos conhecemos em julho, em dezembro eu estava desembarcando nos Estados Unidos. Na minha cabeça, eu imaginava que o amor seria suficiente para tirá-lo do mundo das drogas.
 
E quando veio a constatação de que seu amor não era suficiente, como você ficou?
Polyana: Foram dias, anos, de muita culpa e frustração. Nos primeiros três anos, eu não sabia o que era codependência. Achava que todo o meu sofrimento era por culpa da dependência dele e não me dei conta que parei de viver. Vivia para isso. Ele passava momentos sem usar drogas e outros usando muito e quando vinham as recaídas eu pensava o que eu tinha feito de errado. É um peso nas costas. A gente não sabe que precisa de ajuda também. A vida fica parada, milimetricamente controlada, em sobressalto. ‘Será que se eu não fizesse aquela cara feia, ele não teria recaído?’ é só um exemplo dos pensamentos que eu tinha com frequência.

Quando você conseguiu mudar de postura?
Polyana: É uma luta diária. Eu amo o meu marido e há três semanas o deixei, por amor. Buscando ajuda para mim, compreendi que o impedia de arcar com as consequências do uso de droga pois assumia todas as consequências como falhas minhas. É uma postura doentia que atrapalha dos dois lados. Para um codependente, dizer não é mais difícil do que dizer sim e com isso você vai tolerando comportamentos abusivos. Do outro lado, o dependente também vai repetindo as condutas de abuso por não enxergar as consequências. É uma falsa cumplicidade que afunda os dois lados.

Neste processo, como ficaram seus três filhos?
Polyana: Tenho dois filhos com ele, um de 3 anos e um mais novo, de 1 ano. E uma menina mais velha, de 11 anos, de outro relacionamento. A mais velha já foi deixada de lado no início e, certa vez, em um dos grupos de apoio, me perguntaram se seria preciso ela começar a usar drogas também para ganhar a minha atenção. Minha ficha caiu. Separei o papel de esposa do papel de mãe. Meus outros filhos foram muito desejados e gerados em períodos de abstinência, em que eu já havia começado a estudar e a fazer tratamento para a codependência. A decisão atual de me separar foi por causa deles. Pela primeira vez, meu marido colocou em risco meus filhos e os levou, junto com ele, para comprar drogas. Não tolerei e me afastei. Ele procurou uma clínica e está internado. Eu ainda espero um final feliz para a nossa história, mas sei que ele é responsável pela própria recuperação.

Você não teve medo de ficar ainda mais culpada por causa do afastamento, com a sensação de que estava abandonando o pai dos seus filhos?
Polyana: Estudando codependência a gente se dá conta de uma coisa. Você conhece um ser humano, um só, que diz: olha, eu resolvi procurar ajuda porque a minha esposa me apoia demais’? Eu nunca vi e conheço milhares de dependentes. Estudá-os virou minha profissão e hoje como funcionária pública da secretaria de Justiça desenho projetos que foquem nas famílias. A recuperação deles não está nas nossas mãos. Tirar a culpa da costas não é uma opção egoísta. É amar o próximo como amar a si e isso quem prega não sou eu. Permitir que o dependente químico arque com as consequências é o único caminho para recuperação dele.

Você descobriu como cuidar de si sem abrir mão do apoio familiar, tão lembrado pelos psiquiatras como aspecto importante na recuperação do doente?
Polyana: Sou contra o abandono. Como eu apoio? Busquei ajuda para mim. Nos grupos a gente aprende a lidar com essas pessoas e entende que elas precisam de limites. Deixar que eles tenham responsabilidades é a forma mais eficaz de dizer que você confia nele pois acredita que ele é capaz. Fazer por ele é, indiretamente, dizer que ele não é capaz de fazer sozinho.

Você chegou a adoecer?
Polyana: A gente sempre adoece. Tive tremores, dor de cabeça, insônia, ansiedade e depressão. Parei minha vida. Se não me tratasse, não estaria inteira para este processo de recuperação que meu marido inicia. Sou mãe, apaixonada, mas sou mulher, tenho minhas vontades e meus sonhos. Se os projetos cuidassem mais das famílias, incentivando e orientado condutas assertivas, tenho certeza de que o número de finais felizes seria maior.

Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-04-17/me-separei-por-amor-e-ainda-acredito-em-um-final-feliz-para-nossa-historia.html
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sexta-feira, 19 de abril de 2013

ASSUMIR QUE O FILHO É DEPENDENTE QUÍMICO É A PIOR COISA PARA UMA MÃE

“Assumir que o filho é dependente químico é a pior coisa para uma mãe”

Luisimar Alvares há 13 anos convive com um filho viciado, hoje em recuperação. Ela conta como a mudança de postura resultou em uma nova forma de encarar as drogas

Professora de adolescentes em Campinas (interior de SP), Luisimar Alavres encarava as drogas “como um problema dos outros” até encontrar maconha nas coisas do filho. Achou que era uma fase e que iria passar.
Foram 13 anos convivendo com os mais variados tipos de entorpecentes – crack, cocaína, ecstasy – e com a sensação de que só ela salvaria o filho.
“Dei espaço para o meu filho ser protagonista da própria recuperação”, diz ela, sobre a principal lição que aprendeu nos grupos terapêuticos que acolhem parentes dos dependentes químicos enquadrados no conceito de codependentes.
Hoje ela é voluntária do Amor Exigente (o principal grupo brasileiro voltado às famílias), continua dando aulas e vive o “só por hoje”, ensinamento vital para quem usa drogas e para quem ama e convive com um usuário.
Luisimar define um dia perfeito, como aquele que tem 24 horas “sem conflitos” ou “com conflitos solucionados” em 24 horas e agradece por ter se livrado do sabor “amargura” que tinha na boca quando contava a própria história. “Tenho orgulho da pessoa melhor que me tornei”.

Como você percebeu que a droga fazia parte da sua família?
Luisimar: Sou professora de português e as drogas sempre fizeram parte da temática das minhas aulas. Por estudar o tema, parecia que eu tinha uma imunidade a este problema. Foi então que meu filho, quando estava no 3º ano do ensino médio, começou a mudar de comportamento, ficou diferente, repetiu de ano. Eu só tinha visto droga em fotografias e achei um ‘matinho’ estranho nas coisas dele. Não reconheci na hora. Levei a uma delegacia próxima de casa e disseram que era maconha. No primeiro momento, não achei que era grave e aí os problemas começaram. Tinha certeza de que era uma fase, que iria passar. Ele tinha 16 anos. Hoje tem 29. Treze anos depois, ainda não passou. Maconha, cocaína, crack, ecstasy, tudo que você pode imaginar, passou na vida do meu filho e também fez parte da minha vida.

Quando você percebeu que o seu comportamento com ele precisava mudar?
Luisimar: Desde o início, eu frequentei grupos de pais e familiares de dependentes químicos, nas reuniões do Amor Exigente. Mas não me reconhecia naquele ciclo da droga, não sentia que participava ativamente da dependência do meu filho. Caí no jogo da culpa e, de forma inconsciente, o meu comportamento alimentava o comportamento do meu filho e vice-versa. Você passa a ser feliz só quando ele é feliz. Eu passei a querer tomar atitudes por ele. Fiquei com a sensação de que eu, só eu, era capaz de salvá-lo. Mas quando você olha a dependência de dentro do olho do furacão, um ponto crucial passa despercebido: o dependente químico, sem perceber, busca o conflito para justificar o uso de drogas. Então, por mais que eu me esforçasse para fazer da minha casa um ambiente de paz, do nada, uma briga explosiva acontecia.
Eu achava que a solução e o controle estavam nas minhas mãos. A sensação era a mesma de apertar uma gelatina. E essas tentativas frustradas de manter uma paz falsa, frágil, só me davam culpa. Passei a atender a todas as vontades do meu filho. Quando ele se trancava no quarto, achava que ele estava seguro e quase não respirava na sala. Levantava 200 vezes, encostava o ouvido na porta para sentir que estava tudo bem. Então, vinha o vendaval violento. Ao meu filho, a mensagem era de que ele tinha a justificativa que queria para sair de casa e passar dias e dias sem aparecer, só usando drogas. A mim, restavam a culpa e a falsa ideia de que, em uma próxima vez, eu faria diferente e a briga não aconteceria.

A sensação de culpa também atrapalhava a consciência de que você precisava mudar?
Luisimar: Assumir que o filho é dependente químico é pior coisa para uma mãe. É uma doença considerada um problema de caráter. Se ele tem rinite, todo mundo protege. Quando é usuário de droga, não há a compreensão de que se trata de uma doença. Trata-se como uma falha pessoal, da criação. A negação é o primeiro passo e eu fiz coisas horríveis, como ir até a casa de um amigo dele e aos berros dizer para a outra mãe que ela era responsável por tudo de ruim que tinha acontecido com o meu filho. Foi quando esgotei as minhas possibilidades que entendi que não dependia de mim. Ao contrário. Se ele não tivesse o papel principal no processo de recuperação dele, não iríamos sair do lugar. A codependencia, um termo que eu só aprendi depois, exacerba o amor e você fica cega. Você tem recaídas igual ao usuário de droga. É preciso entender quais são os limites e esse entendimento é doloroso, mas também libertador.

Isso significa que você precisou se afastar do seu filho?
Luisimar: Quando os problemas com as drogas agravaram, eu tinha acabado de separar do meu marido. Meu filho foi para a internação compulsória (contra a vontade do usuário) e é uma sensação horrível. Você se sente sozinha, culpada. Ele saiu da primeira internação e voltou para as drogas. Desde então, foram repetidas idas e vindas. Não digo que me afastei, mas precisei mudar de postura. Aprendi a dizer e a entender que ou ele mudava de comportamento ou ele mudava de casa. Isso porque, em meio às chantagens, ele me dizia que se eu o deixasse fumar maconha dentro de casa, ele não iria mais embora. Não cedi. E defini o que queria para dentro da minha casa. Ele foi internado quatro vezes e nenhuma deu certo porque, em todas, ele havia decidido pelo tratamento por minha causa e não por causa prória. Quando eu e o pai dele deixamos espaço para ele ser protagonista da própria história, a coisa mudou de figura.

Seu filho está limpo (sem usar drogas) há 10 meses. Honestamente, você voltou a confiar nele?
Luisimar: Eu confio na minha postura e sempre quando entendo ser cabível dou um voto de confiança a ele. Sei que ele esta se segurando, está apaixonado, resolveu morar com uma moça e tenho orgulho da vida com limites que ele leva agora. Mas também não sou ingênua e sei da dificuldade que ele tem de se organizar a longo prazo. Não é falta de confiança, mas não me frustro mais quando ele planeja, por exemplo, pagar uma conta em 10 prestações e lá na quarta ou quinta acaba recorrendo à minha ajuda porque se atrapalhou. Um dia de cada vez. Para ele e para mim.

O seu amor por ele mudou?
Luisimar: Fragilidade amorosa eu não tenho mais, mas meu filho é o maior amor que eu sinto no mundo. A passionalidade eu perdi e ele compreende isso. Ele me reconhece como alguém segura, autônoma, sabe que pode contar comigo, sabe do meu amor e sabe que por ele eu me obriguei a ser uma pessoa melhor. O fato dele ter me tirado o chão fez com que eu buscasse um solo mais forte, menos arenoso. Meu filho sabe que para conviver com isso ele não pode me ferir. Eu não sinto mais um sabor amargo na minha boca ao contar essa história.

Você chegou a adoecer fisicamente nesse período?
Luisimar: Dizer que não é mentira. Eu somatizo problemas na boca e na garganta, ranjo os dentes. É uma transferência inevitável. Você assiste o outro doente e quer adoecer também. Eu me sentia mal por estar bem. Viajar foi algo que eu nunca deixei de fazer, mesmo nos momentos mais turbulentos. Durante os trajetos, tinha crises de dores incríveis que agora são controladas. O “decolar” era complicadíssimo, ainda é. Mas é o meu prazer, momento em que eu relembro de cuidar de mim. Uma vida boa, que valoriza as pequenas coisas, é o maior presente que só eu posso me dar.

Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-04-17/assumir-que-o-filho-e-dependente-quimico-e-a-pior-coisa-para-uma-mae.html
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