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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

AÇÃO DE PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS NAS ESCOLAS COMEÇA A SER DISCUTIDA

Comissão aprova inclusão da família e comunidade nas ações contra drogas em escolas

Agência Câmara de Notícias
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A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado aprovou na última quarta-feira (29) o Projeto de Lei 2046/11, da deputada Iracema Portella (PP-PI), que define critérios para a implantação de ações pedagógicas de prevenção ao uso de drogas em escolas públicas e privadas.
Reprodução/TV Câmara

Rosane Ferreira: a base da solução para o problema das drogas está na família e na comunidade.
O parecer da relatora, deputada Rosane Ferreira (PV-PR), foi favorável à proposta. “Se temos a pretensão de enfrentar essa verdadeira epidemia que assola o mundo inteiro e que tem levado à destruição de muitas vidas, a base da solução está no ambiente familiar e na comunidade nas quais se inserem o usuário e o dependente de drogas”, afirmou.
Segundo a proposta, essas ações deverão respeitar sete regras:
– incluir a família e a comunidade;
– ser realizada considerando a necessária integração das ações dos órgãos e entidades públicas e privadas nas áreas de saúde, sexualidade, planejamento familiar, educação, trabalho, assistência social, previdência social, habitação, cultura, desporto e lazer;
– promover a ampla participação social na sua formulação;
– desenvolver a capacitação dos profissionais da educação para a prevenção ao uso de drogas;
– habilitar os professores e profissionais de saúde a identificar os sinais relativos à ingestão abusiva de álcool e de outras drogas e o seu devido encaminhamento;
– valorizar as parcerias com instituições religiosas, associações e organizações não governamentais para o planejamento e execução das campanhas de prevenção; e
– promover a avaliação das campanhas.
O texto altera a Lei 11.343/06, que Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad) e prevê a implantação de projetos pedagógicos de prevenção do uso indevido de drogas, nas escolas, alinhados às Diretrizes Curriculares Nacionais e aos conhecimentos relacionados a drogas.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado agora pelas comissões de Educação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
•PL-2046/2011
Reportagem – Lara Haje
Edição – Rachel Librelon
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sábado, 9 de agosto de 2014

ALCOOLISMO AFASTOU QUASE 100 MIL DO EMPREGO NOS ÚLTIMOS 6 ANOS

Doença rompe ligação com a família e com o trabalho.
Em 2013,16.480 pessoas foram afastadas por causa da doença.
 Nos últimos seis anos quase 100 mil brasileiros se afastaram do emprego ou foram demitidos por causa do alcoolismo, afirma o Ministério da Previdência. A doença é grave e costuma romper a ligação que os dependentes tinham com a família e com o trabalho.
O primeiro passo do ajudante de frete José Robério foi admitir que o problema existia. O segundo, procurar ajuda e, a partir daí, resistir, segurar, enganar a vontade de beber. Ele não bebe há 40 dias “Pretendo continuar assim, sem bebida alcoólica”, afirma.
O comerciante Paulo Chaves, dono de um botequim, faz o pedido semanal para repor o estoque. São R$ 500 em compras só de bebidas alcoólicas. As chamadas bebidas quentes, como a cachaça, são as mais vendidas. Ele diz que quem busca uma desculpa para beber, encontra muitas: “Está bebendo porque fez um mal negócio ou porque está chateado ou porque bebeu demais no dia anterior, tem que beber uma para sarar a ressaca. Tem essas coisas”.
“Acaba sendo gerado um problema para a Previdência em termos financeiros. A pessoa deixa de contribuir para a Previdência, porque está com direito a benefício e ainda gera despesa com o benefício”, explica Alexandre Zioli, coordenador de atuária do Ministério da Previdência Social.
Um homem que sofre com o alcoolismo e prefere não se identificar conta que o encontro com o álcool foi um azar. Ele tinha 14 anos e estava começando a vida profissional em um grande banco. Hoje, aos 45 anos, trabalha como ambulante: "Enquanto eu estava bebendo, eu não parei em lugar nenhum. O álcool foi extremamente massacrante e impeditivo de que eu viesse a ser um ser de produção".
Mesmo sem beber há 13 anos, ele ainda não conseguiu restabelecer os vínculos familiares. "Eu, particularmente, sou extremamente só", relata.
Segundo a psicóloga Janete Pinheiro, que trabalha em uma clínica de reabilitação, a tolerância das famílias tem limite e aconselha que elas procurem ajuda para evitar um mal que pode ser ainda maior: o abandono do parente. “Sozinho esse caminho é bastante tortuoso porque ele ainda tem muito desejo de beber. Então, ele vai ficar brigando com isso. Entre andar nas pedras e beber sempre foi mais fácil beber”, orienta a especialista.
Em 2009, 13.797 pessoas foram afastadas do trabalho e receberam auxílio-doença por causa do alcoolismo. No ano passado, o número saltou para 16.480 afastamentos.


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CIGARROS CONTRABANDEADOS TORNAM O TABAGISMO AINDA MAIS PERIGOSO: ENTENDA POR QUÊ

Pesquisa brasileira analisou 18 marcas contrabandeadas do Paraguai e mostra concentração ainda mais alta de metais cancerígenos e agentes de contaminação como colônias de ácaros e fungos.

Se de um lado o Brasil é considerado uma notável exceção no combate à epidemia tabagista no mundo, por outro, precisa lidar com o fato de que o cigarro contrabandeado já representar 30% do mercado brasileiro. A explosão do consumo de marcas ilegais que entram com facilidade pelas fronteiras do país – a Receita Federal só consegue apreender entre 5% a 10% dos cigarros contrabandeados – agrava os problemas de saúde da população que fuma. Segundo o Ministério da Saúde, o tabagismo é responsável por 200 mil mortes por ano no país.
Pesquisa desenvolvida desde 2012 na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) desvenda o que está por trás desse cigarro que vem do Paraguai: pêlo de animais, terra, areia vestígios de plásticos, restos de insetos, colônias de fungos, ácaros e metais cancerígenos como chumbo, cádmio, níquel, cromo e manganês. Um dado assustador mostra que algumas marcas contrabandeadas têm quantidade de chumbo 116 superior à encontrada nas que são vendidas legalmente no Brasil. Para quem não sabe, o chumbo é um metal extremamente tóxico relacionado, inclusive, à malformação de fetos. Outro exemplo é a quantidade de nicotina de um cigarro paraguaio ser de dez a 20 vezes superior do produto nacional. (veja outros resultados ao final da matéria).
Pela primeira vez, a população brasileira tem informações inéditas de dados quantitativos e valores exatos de agentes de contaminação e metais pesados tóxicos encontrados após análise científica rigorosa. “Se para a saúde já é ruim o cigarro legalizado, esses dados mostram quão mais danosos são os ilegais. Antes desse trabalho, apenas ouvíamos, de forma generalizada, que o produto ilegal era pior. Agora, podemos provar que são mais perigosos”, alerta o coordenador do Grupo de Pesquisa Química Analítica Ambiental e Sanitária (QAAS) da UEPG, Sandro Xavier de Campos.
O trabalho, que se vai se estender até 2015, envolve sete pesquisadores e a avaliação de 18 marcas, traz à tona outro dilema: “Quem fuma já sabe os malefícios do cigarro. Essa relação com o vício é psicológica, a pessoa se sente angustiada por não conseguir sair disso. Se o preço do cigarro aumenta, ela precisa gastar mais para sustentar a dependência. Comprar um produto mais barato pode diminuir um pouco essa angústia, a autocobrança. Um peso grande para o viciado é o dinheiro que se gasta”, reflete Sandro.
Isso porque, entre as medidas adotadas pelo governo brasileiro nos últimos anos, está a que acarretou no aumento do preço do cigarro em função da elevação de impostos. Em dezembro de 2011, foi criado um novo modelo tributário e, em dois anos, o preço do cigarro mais barato subiu 60%, de R$ 2,50 para R$ 4,00. “É um movimento mundial de políticas antitabagistas. Em países europeus também têm crescido o consumo de cigarro contrabandeado e um dos fatores principais é a taxação”, pontua o especialista.
Na pesquisa, os nomes das marcas não foram divulgados. Mestrando em química aplicada da UEPG, Cleber Pinto da Silva é o autor do trabalho. Ele esclarece que citar os nomes poderia gerar uma comparação entre as marcas avaliadas e o objetivo está longe de ser esse. “O mais importante é o fumante entender que, ao optar por um cigarro paraguaio, ele está se expondo a riscos maiores de desenvolver doenças relacionadas ao tabagismo”, diz. O pesquisador explica que, se o cigarro contrabandeado tem duas vezes mais chumbo comparado às marcas nacionais, significa dizer que o fumante vai absorver mais esse metal. "Quanto mais poluente e mais metal, maior a probabilidade de desenvolver um problema de saúde”, alerta. Segundo ele, as enfermidades relacionadas ao tabagismo – câncer, doenças respiratórias e cardíacas - são as que mais matam no mundo atualmente. “A relação com o câncer de pulmão é de 90%”, afirma.
A pesquisa da UEPG avaliou também as duas marcas nacionais mais vendidas no Brasil para comprovar que elas são “mais seguras” do ponto de vista de rigor na produção. “Qualquer cigarro, tanto nacional quanto paraguaio, faz mal a saúde”, reforça Cleber. Para se ter uma ideia, a quantidade de nicotina de um cigarro paraguaio é de dez a vinte vezes mais que do nacional. O especialista conta que só conseguiu achar um pedaço de plástico, muito pequeno, em apenas um cigarro das marcas brasileiras avaliadas. “A probabilidade é de 99% de achar algum elemento no cigarro paraguaio. A gente encontrou a ponta de um filtro inundada de ácaros, isso vai direto para o pulmão”, alerta. Lembrando que, no Paraguai, esse produto é legalizado e tem, inclusive, registro.
ENTENDA O IMPACTO NA SAÚDE:
Cleber Pinto da Silva explica que cada cigarro produzido em diversas partes do mundo tem uma quantidade específica de metais. Dessa forma, a pesquisa comparou o cigarro contrabandeado do Paraguai não apenas com os nacionais, mas com marcas já avaliadas em pesquisas internacionais.
Cromo
Uma das marcas analisadas que corresponde a 12,99% das apreensões no Brasil apresentou níveis de cromo muito superiores a qualquer estudo já realizado. A concentração encontrada foi 11 vezes maior do que os valores máximos das falsificações do Reino Unido e acima de 33 vezes ao relatado em estudos com cigarros comercializados legalmente no Brasil.
Vários estudos apontam o Cromo como um dos possíveis responsáveis pela causa nas dificuldades na respiração, tosse, formação de úlceras, bronquite crônica, diminuição da função dos pulmões, pneumonia e alguns tipos de câncer.
Chumbo
Outras marcas apresentaram o dobro de chumbo do que o valor médio encontrado em cigarros comercializados legalmente em países como o Paquistão e valores superiores a 116 vezes ao encontrado, em média, em cigarros vendidos legalmente no Brasil.
O chumbo é um metal extremamente tóxico e pode afetar cérebro, rins e sistema nervoso. Pesquisas relacionam o aumento nos níveis desse metal com a redução do quociente de inteligência e, recentemente, associaram o chumbo presente no tabaco ao mau desenvolvimento de fetos.
Níquel
A concentração de níquel encontrada em algumas amostras foi três vezes superior ao relatado em pesquisas de diversos países como Índia e China. Considerando essa média de concentração e supondo que uma pessoa consuma 20 cigarros por dia, a quantidade de níquel absorvido será 10 vezes superior ao de um fumante que consome cigarros legalizados no Brasil.
O níquel é um agente altamente genotóxico e pode causar mutações no DNA, alergias de pele, fibrose pulmonar, problemas nos rins e envenenamento do sistema cardiovascular.
Manganês
Duas das marcas analisadas (correspondentes a mais de 14% do volume de contrabando apreendido) apresentaram concentrações de manganês acima de seis vezes ao encontrado em cigarros comercializados legalmente no Paquistão.
O manganês em altas concentrações pode gerar um grave quadro toxicológico e pode causar uma doença conhecida como manganismo, com sintomas semelhantes ao Parkinson. Por ser neurotóxico, pode estar associado ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.
pH dos cigarros
Resultados preliminares com sete marcas de cigarros contrabandeados mostram pH básico, ou seja, acima de 7.
Estudos realizados na Europa e EUA indicam que o pH influencia na absorção da nicotina e quanto mais básico é o cigarro mais nicotina é disponibilizada para absorção do organismo.
Marcas mais vendidas no país:
Eight: 36,5% / 416,1 milhões de maços (8,322 bilhões de cigarros)
Classic: 9,6% / 109,44 milhões de maços (2,188 bilhões de cigarros)
San Marino: 7,5% / 85,5 milhões de maços (1,7 bilhão de cigarros)
Bill: 4,7% / 53,58 milhões de maços (1,07 bilhão de cigarros)
US Mild: 4,6% / 52,44 milhões de maços (1,05 bilhão de cigarros)


FONTE: Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF). / Diário de Pernambuco
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sexta-feira, 12 de abril de 2013

BEBEDEIRA DE SÁBADO É MAIS PERIGOSA QUE BEBER TODO DIA

Bebedeira de sábado é mais perigosa do que beber todo dia


Pesquisa mostra que porres eventuais trazem mais risco cardíaco do que doses moderadas diárias


Foto: Getty Images
Pesquisa mostra que bebedeira eventual também traz risco cardíaco

A ressaca e o arrependimento não são as únicas consequências negativas trazidas pela bebedeira de final de semana. O coração corre riscos importantes, alerta uma pesquisa feita pela Escola de Medicina de Toulouse, na França.

O famoso “pé na jaca” mostrou-se até mais perigosos do que o hábito de beber diariamente pequenas doses. Para chegar aos resultados, os médicos avaliaram por dez anos mais de 11 mil homens de meia-idade (entre 45 e 60 anos), selecionados por relatarem beber aos menos uma vez por semana .

Leia mais: O DNA do alcoolismo dos jovens

Deste total, 2.405 eram moradores de Belfast, na Irlanda, que culturalmente bebem "pesado" – jargão na medicina que indica mais de cinco doses por ocasião em que a pessoa decide beber. Outros 7.373 pesquisados eram da França, em que o padrão de consumo alcoólico cultural também é alto, mas prevalece o padrão moderado, de uma dose por dia.

O grupo dos franceses até bebeu mais do que o de irlandeses – uma média geral de 32 gramas por dia contra 22,1 gramas diárias. Mas a segunda turma sofreu muito mais problemas cardíacos, mesmo descontando fatores como predisposição genética e obesidade.

Os dados foram divulgados na edição de novembro de 2010 do British Medical Journal, uma das publicações mais importantes do meio científico. Os “bebedores pesados” em Belfast somaram 9,4% dos entrevistados e entre os franceses esta parcela caiu para 0,5%. Nos irlandeses, a média de doenças cardíacas por 1.000 habitantes ficou em 5,63 pontos, duas vezes maior do que a taxa de 2,78 registrada entre os participantes da França.

Padrão brasileiro

Os novos achados servem de alerta para a população brasileira já que as pesquisas nacionais evidenciam que o padrão de consumo no Brasil é mais semelhante ao da Irlanda do que ao da França.

Foto: Getty Images Ampliar
Cérebro torna ainda mais difícil largar o cigarro e se alimentar corretamente, diz especialista
Fumar "só quando saio" também é arriscado

Em um levantamento nacional realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em todas as capitais, os pesquisadores concluíram que 40% da população masculina e 18% da feminina já beberam ao estilo “pesado”.

Quanto mais nova for a pessoa, mais recorrente é este estilo de consumo. Até mesmo os menores de 18 anos têm este hábito. Em uma pesquisa feita com 3 mil estudantes do ensino fundamental (1ª a 8ª série) de escolas particulares foi identificado que um em cada três (33%) já consumiu álcool de forma exagerada (mais de cinco latas de cerveja por exemplo) em uma mesma ocasião.

Colesterol de etanol

O beber "pesado" já foi apontado como gatilho de violência doméstica e no trânsito, responsável por acidentes que custam ao País R$ 390 por minuto, levando em conta apenas as internações dos acidentados que misturaram álcool de direção.

Agora os novos dados encontrados pela pesquisa francesa indicam que, além das causas externas, os porres também agravam problemas crônicos de saúde.

Os mecanismos que fazem grandes quantidades de álcool, ingeridas em uma única ocasião, serem tão letais para o músculo cardíaco ainda são pesquisados pelos médicos, mas já existem algumas evidências sobre essa atuação. A avaliação dos cientistas é de que quando o etanol é metabolizado, pode agredir as veias e atrapalhar a circulação, agindo de forma semelhante ao colesterol.

Na pesquisa feita pela Universidade francesa, por exemplo, os autores constataram que os “bebedores pesados” tinham a pressão mais alta nas segundas e terças-feiras, um indício de que a alta dosagem etílica também afeta a pressão, uma das origens dos infartos e acidentes vasculares cerebrais.

“A indústria do álcool aproveita cada oportunidade para imbuir no consumo uma imagem positiva, enfatizando seus efeitos benéficos. Mas as pessoas também precisam ser informadas sobre as consequências para a saúde de beber pesado”, escreveram os autores na conclusão do estudFinbto.

Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/bebedeira+de+sabado+e+mais+perigosa+do+que+beber+todo+dia/n1237994333992.html
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quinta-feira, 11 de abril de 2013

USO NOCIVO DE ÁLCOOL AUMENTA 31,1% NO PAÍS

Uso nocivo de álcool aumenta 31,1% no País

Em seis anos, taxa de pessoas que bebem mais de quatro doses por ocasião pulou de 45% para 59%. Mulheres são responsáveis pela alta

Uma nova pesquisa divulgada nesta quarta-feira (10) pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que entre 2006 e 2012 aumentou em 31,1% o uso nocivo de álcool na população brasileira, comportamento que eleva o risco de doenças crônicas e também a vulnerabilidade à violência urbana.
Os dados fazem parte do segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) que investigou os hábitos etílicos no País, por meio de 4.607 entrevistados maiores de 14 anos, de todas as regiões do Brasil.
Os novos dados apontam que apesar do número de pessoas que bebem não ter aumentado no período – a taxa de bebedores permaneceu estável em 52% – o consumo entre os que admitem beber está mais alto, chamado pelos especialistas de “heavy drinking” (beber pesado).
“Beber pesado” ou “heavy drinking” é um padrão de consumo descrito quando os homens bebem mais de cinco doses e as mulheres mais de quatro copos de pinga, vodca, cerveja, uísque ou vinho quando decidem beber. Eles não entram na classificação de dependentes de álcool, mas isso não significa que esta parcela esteja isenta de complicações sociais e na saúde, afirmam os especialistas.

Impactos sociais do álcool

Além dos riscos de doença e de exposição à violência, a bebida também prejudica a vida social.
Pesquisas anteriores já alertaram que este padrão de consumo, ainda que realizado uma vez por semana e não diariamente, é suficiente para intoxicar o organismo e ser gatilho de tumores, transtornos de humor e falência do fígado entre outros problemas.
Leia:Bebedeira de sábado é mais perigosa do que beber todo dia
Por isso, os autores do Lenad disseram estar alarmados com os novos números e não comemoraram o fato do índice de dependentes de álcool ter permanecido em 17% nos últimos seis anos.

Mulheres
Elas foram as maiores responsáveis pela elevação deste padrão de consumo do álcool que, segundo os especialistas, torna os consumidores mais predispostos a doenças crônicas do fígado, câncer e depressão, por exemplo, além de estar associado ao aumento de violência doméstica, dos acidentes de trânsito, das brigas e dos suicídios.
Entre elas, o índice de ‘heavy drinking’ atestado nas bebedoras saiu de 36% em 2006 para 49% em 2012 – aumento porcentual de 36,5%. Já nos homens, a variação foi de 29,4%, passando de 51% para 66%.
Leia mais:Líderes em abuso de álcool são mulheres jovens e homens de meia-idade
Para a pesquisadora Ilana Pinsky as mulheres ficaram mais exposta às pressões do mercado de trabalho, ao estresse e também passaram a ser alvo da publicidade de bebidas, especialmente da cerveja, o que pode justificar o maior aumento do consumo feminino.

Violência
Clarice Sandi Madruga, uma das coordenadoras do Lenad, afirmou que a ligação do uso problemático de álcool e dos episódios violentos ficou evidente com a nova publicação.
“Só um exemplo é o envolvimento em agressões físicas. Na população geral, o número de pessoas que brigaram no último ano foi de 2,6%. Já entre os homens que bebem de forma perigosa sobe para 27%”, citou.
“Entre os 6% que relataram terem sido vítimas de violência doméstica, metade disse que o agressor estava embriagado no dia da agressão. Nosso estudo indica ainda que 5% dos brasileiros já tentaram suicídio, parcela que sobe para 41% entre os bebedores problemáticos”, pontuou a especialista.

Renda e políticas
Para o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, um dos autores do estudo e um dos maiores pesquisadores do uso de álcool da América Latina, são duas as explicações para os novos números.
“A primeira delas é que o aumento de renda da população pode explicar o agravamento do hábito de beber”, avalia.
“Atestamos que a quantidade de abstêmios não foi alterada (ficou em 48%), mas aqueles que já bebiam estão bebendo mais doses, investindo mais dinheiro em bebida, o que é muito perigoso para a saúde”, explica.
“A segunda questão é que a falta de políticas públicas para desestimular o uso de álcool ficou evidente. A única existente no País é focada em coibir o ato de beber e dirigir. Mas é preciso investir em modelos, conforme preconiza a Organização Mundial de Saúde, que elevem o preço das bebidas, diminuam os postos de venda e o horário de funcionamento dos estabelecimentos, sem esquecer a regulamentação da publicidade do álcool”, afirma Laranjeira.

Lei Seca
A boa notícia é que a chamada Lei Seca, em vigor no País desde 2008 e que ficou ainda mais rígida no final do ano passado, de fato surtiu efeito no comportamento da população brasileira. Em 2006, 27,5% dos pesquisados admitia beber e dirigir, índice que caiu para 21,6% em 2012, uma diminuição de 21%.
 
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sábado, 5 de maio de 2012

"Brasil espera o óxi sair de controle para levantar o sinal de emergência", diz Maierovich

Posted on by
UOL
O óxi, mais forte e devastador do que o crack, segundo especialistas, entrou de vez para o noticiário após as apreensões se multiplicarem e se espalharem rapidamente pelo Brasil.
Até o final de abril, havia registros de ocorrência do óxi em 10 Estados –Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Goiás, Pernambuco, Mato Grosso do Sul , Piauí, São Paulo– e no Distrito Federal. Nas últimas duas semanas, a droga se espalhou para Paraná, Bahia e Rio Grande do Sul.
Em São Paulo, até o início do mês não havia ocorrido apreensões de óxi. De lá para cá, foram pelo menos cinco, a maior delas na segunda-feira (16), quando 5.000 pedras de óxi foram encontradas na favela de Heliópolis, na zona sul da capital.
O UOL Notícias entrevistou o professor e jurista Walter Maierovich, ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), para analisar, à luz da experiência com a popularização de outros tipos de drogas, a expansão do óxi e o papel que o poder público deve tomar.
UOL Notícias – Depois do ciclo da cocaína e do crack, o senhor acha que entraremos em breve no ciclo do óxi?
Walter Maierovich – Há dez anos, o governo de Bill Clinton (ex-presidente dos EUA) dizia que a cocaína não seria mais o problema, e sim as drogas sintéticas, porque custava muito para o cloridrato (pó da cocaína) chegar até os outros continentes, enquanto as drogas sintéticas poderiam ser feitas em qualquer lugar. Acreditava-se que o crime organizado controlaria toda essa rede de drogas sintéticas, mas o crime teve um problema de mercado, porque qualquer um conseguia fazer a droga sintética. Na Holanda, por exemplo, elas eram feitas em qualquer fundo de quintal. Mas essas drogas tinham muitas impurezas, e os problemas de saúde começaram a aparecer nos usuários. Resultado: a cocaína voltou a ser a rainha das drogas porque nela se consegue um grau maior de pureza. É uma questão de mercado. Todo mundo está sempre tentando inventar uma nova droga. Em relação ao óxi, é uma droga barata, que usa como insumos produtos fáceis de encontrar. Acredito que o óxi vai se disseminar entre um mercado consumidor de baixa renda, das classes C, D e E.
UOL Notícias – O crack também era utilizado quase que exclusivamente pelas classes populares, mas se espalhou para a classe média.
Maierovich – O óxi vai pegar a classe média baixa também. Agora, diante desse contexto, é preciso entrar com campanhas esclarecedoras dos efeitos dessa droga, campanhas de redução dos riscos. Em São Paulo houve uma migração dos usuários da Cracolândia para vários outros pontos da cidade, e não houve políticas adequadas para lidar com isso.
UOL Notícias – O tráfico evitava comercializar o crack porque havia uma ideia de que a droga matava rapidamente. Quando os traficantes descobriram que as mortes dos usuários aconteciam por fatores externos ao consumo da droga, e não pelo uso da droga em si, começaram a vender crack também. O óxi, além de ser mais barato, parece que mata o usuário em pouco tempo, segundo alguns especialistas. É vantajoso para o tráfico vender óxi?
Maierovich – Para o tráfico não é interessante que a sua droga mate o usuário. Os alertas, as estatísticas são um incentivo para que as pessoas não usem drogas que matam. Mas é necessário que haja uma campanha forte mostrando que o óxi mata.
UOL Notícias – Como o senhor avalia o enfrentamento ao óxi feito pelos órgãos federais?
Maierovich – Não há políticas de prevenção. Na Europa, assim que surge uma droga nova, eles acendem um sinal de emergência e se mobilizam para impedir a expansão. No Brasil, estão esperando o óxi sair do controle para levantar o sinal de emergência. Está na hora de acender a luz, traçar políticas nos três níveis de governo para conter o avanço da droga. Aqui não há políticas públicas, não há prevenção, nem controle da venda de insumos químicos. Nos países onde há a matéria-prima da folha de coca não há indústrias químicas, e eles precisam de éter, acetona, entre outros insumos para fazer a pasta base. E da onde vêm esses produtos? Do Brasil! Nosso país tem uma culpa enorme nesse processo.
UOL Notícias – O que precisaria ser feito para se conter o avanço do óxi?
Maierovich – Há “n” coisas a fazer. Primeiro, precisa de política pública, o que não temos. Fala-se que o Brasil tem fronteiras enormes, mas as drogas entram sempre pelos mesmos lugares, pelas mesmas estradas e rotas. É preciso ter controle desses lugares. Também se deve observar as contas bancárias em determinados municípios e ver se as transações são compatíveis com a capacidade do município. Tem que se usar a inteligência. Depois, há sempre a questão da corrupção, que precisa ser resolvido.
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