E-mail:

. SE VOCÊ PRECISA DE AJUDA COM DROGAS OU TEM DÚVIDAS, ESCREVA PARA drogas_precisodeajuda@hotmail.com
Mostrando postagens com marcador clínica up life. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador clínica up life. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

DIZER NÃO É UM ATO DE AMOR

Na sociedade em que vivemos atualmente a permissividade tem se tornado cada vez mais evidente. Os pais tem cada vez mais dificuldades em impor limites e regras a seus filhos. O resultado é o que observamos: jovens sem limites e desajustados socialmente.
Temos uma geração de adolescentes e jovens que não sabem lidar com as frustrações e com os NÃOS que a sociedade lhes impõe, seja na escolha, na vida social ou no trabalho.
Essas habilidades que não foram desenvolvidas desde a infância tem como resultado o aumento exponencial do uso de álcool e drogas, além da criminalidade e da banalização de valores éticos e morais.
PAIS APRENDAM A DIZER NÃO A SEUS FILHOS ENQUANTO HÁ TEMPO, somente dessa maneira eles terão a oportunidade de desenvolver essas habilidades que serão essenciais para a formação de seu caráter e fundamentais para que tenham capacidade de fazer escolhas adequadas para seu futuro.
Se necessitarem de orientação ou aconselhamento, agende uma visita.
**********************
SE VOCÊ PRECISA DE AJUDA ACESSE:
Fones: 11 4714-1079 / 7797-7969 / 94377-7969

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O QUE ABSTINÊNCIA????

Síndrome é o conjunto de sinais e sintomas. Abstinência é a falta/ausência/diminuição/parada. Sendo aguda e aparece em horas/dias. Sendo demorada/tardia e aparece após meses/anos. Obs. - o álcool/cocaína são hidrossolúvel [eliminada em horas e vestígios de 1 a 2 dias] e a maconha é lipossolúvel [a droga se deposita na gordura e demora de 10 a l5 dias a ser eliminada e por esse motivo a síndrome é muito severa e prolongada]. Dependência da droga na forma psicológica e na forma física é a síndrome de abstinência, que é um termo/frase de fácil entendimento popular Dependência psicológica é vista como obsessão, ocorre na mudança da emoção,
Abstinência é um conjunto de sintomas, de agrupamentos e gravidade variáveis, ocorrendo na ausência relativa ou absoluta de uma substância, após seu uso repetido, prolongado e com altas doses. A abstinência pode ser complicada por convulsões e delirium. os sinais/sintomas psicológicos e emocionais são:
-Emocional: *ansiedade [o Dependente Químico é o dobro ansioso que a média da população], *alteração do humor [mudança brusca comportamento], *agressividade, *angústia, *irritabilidade, *tensão, *desorientação no tempo e no espaço, *paranóia [medo, perseguição, pânico], *depressão primária [o Dependente Químico gera problemas iguais ao doente psiquiátrico depressivo], *convulsões.
-Memória: *confusão mental, *concentração, *raciocínio, *lapsos de memória, *crise de identidade.
-*Sono alterado [insônia ou sono pesado], *sonhos aumentados [onde as angústias são resolvidas à fabricação de coisas boas e a esperança de acontecer], *pesadelo [geralmente com a drogradição]
Dependência física é vista como compulsão, ocorre a mudança física, os sinais/sintomas físicos são:
- *sudorese [suor aumentado], *cefaléia [dor de cabeça], *dores musculares, *câimbras, *tremores, *fadiga, *oscilação pressão arterial [alta ou baixa], *taquicardia [coração acelerado], *febre, *náuseas e *vômitos, *diarréia ou *intestino preso, *falta de apetite, *alucinações/delírios.

************************
CLÍNICA PARA TRATAMENTO DE DEPENDENCIA QUÍMICA E ALCOÓLICA UP LIFE

Fones: 11 4714-1079 / 7797-7969 / 94377-7969

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

CRACK: SEUS EFEITOS E CONSEQUENCIAS

O crack é preparado a partir da extração de uma substância alcaloide da planta Erythroxylon coca, encontrada na América Central e América do Sul. Chamada benzoilmetilecgonina, esse alcaloide é retirado das folhas da planta, dando origem a uma pasta: o sulfato de cocaína. Chamada, popularmente, de crack, tal droga é fumada em cachimbos.
Cerca de cinco vezes mais potente que a cocaína, o crack tem sido cada vez mais utilizado, e não somente por pessoas de baixo poder aquisitivo, e carcerários, como há alguns anos. Ele está, hoje, presente em todas as classes sociais e em diversas cidades do país. Assustadoramente, cerca de 600.000 pessoas são dependentes, somente no Brasil.
Tal substância faz com que a dopamina, responsável por provocar sensações de prazer, euforia e excitação, permaneça por mais tempo no organismo. Outra faceta da dopamina é a capacidade de provocar sintomas paranoicos, quando se encontra em altas concentrações.
Perseguindo esse prazer, o indivíduo tende a utilizar a droga com maior frequência. Com o passar do tempo, o organismo vai ficando tolerante à substância, fazendo com que seja necessário o uso de quantidades maiores da droga para se obter os mesmos efeitos. Apesar dos efeitos paranoicos, que podem durar de horas a poucos dias e pode causar problemas irreparáveis, e dos riscos a que está sujeito; o viciado acredita que o prazer provocado pela droga compensa tudo isso. Em pouco tempo, ele virará seu escravo e fará de tudo para tê-la sempre em mãos. A relação dessas pessoas com o crime, por tal motivo, é muito maior do que em relação às outras drogas; e o comportamento violento é um traço típico.
Neurônios vão sendo destruídos, e a memória, concentração e autocontrole são nitidamente prejudicados. Cerca de 30% dos usuários perdem a vida em um prazo de cinco anos – ou pela droga em si ou em consequência de seu uso (suicídio, envolvimento em brigas, “prestação de contas” com traficantes, comportamento de risco em busca da droga – como prostituição, etc.). Quanto a este último exemplo, tal comportamento aumenta os riscos de se contrair AIDS e outras DSTs e, como o sistema imunológico dos dependentes se encontra cada vez mais debilitado, as consequências são preocupantes.
Superar o vício não é fácil e requer, além de ajuda profissional, muita força de vontade por parte da pessoa, e apoio da família. Há pacientes que ficam internados por muitos meses, mas conseguem se livrar dessa situação.
Créditos: Mariana Araguaia
SE NECESSITA DE AJUDA ACESSE: www.clinicauplife.com.br
Fones: 11 4714-1079 / 7797-7969 (nextel) / 94377-7969 (vivo)

segunda-feira, 29 de junho de 2015

RELATÓRIO MUNDIAL SOBRE DROGAS DE 2015

Relatório Mundial sobre Drogas de 2015, o uso de drogas é estável, mas o acesso ao tratamento da dependência e do HIV ainda é baixo
O Diretor Executivo do UNODC diz que o número de mortes, em todo o mundo, relacionadas à droga é inaceitável; o cultivo global de ópio aumentou desde o final da década de 1930
Viena, 26 de junho de 2015 - A prevalência do uso de drogas continua estável em todo o mundo, de acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas de 2015 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC). Estima-se que um total de 246 milhões de pessoas - um pouco mais do que 5% da população mundial com idade entre 15 e 64 anos - tenha feito uso de drogas ilícitas em 2013. Cerca de 27 milhões de pessoas fazem uso problemático de drogas, das quais quase a metade são pessoas que usam drogas injetáveis (PUDI). Estima-se que 1,65 milhão de pessoas que injetam drogas estavam vivendo com HIV em 2013. Homens são três vezes mais propensos ao uso de maconha, cocaína e anfetamina, enquanto que as mulheres são mais propensas a usar incorretamente opióides de prescrição e tranquilizantes.
Discursando sobre o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, o Diretor Executivo do UNODC, Yury Fedotov, observou que, embora o uso de drogas esteja estável no mundo, apenas uma de cada seis pessoas que fazem uso problemático de drogas tem acesso ao tratamento. "Mulheres, em particular, parecem enfrentar mais barreiras para ter acesso ao tratamento - enquanto, mundialmente, um em cada três usuários de drogas é mulher, apenas um em cada cinco usuários de drogas em tratamento é mulher". Além disso, Sr. Fedotov declarou que é necessário trabalhar mais para promover a importância de se entender e abordar a depêndencia como uma condição crônica de saúde a qual, assim como diabetes ou hipertensão, requer tratamento e cuidados sustentados a longo prazo. "Não existe um remédio rápido e simples para o uso problemático de drogas e nós precisamos investir, a longo prazo, em soluções médicas baseadas em evidências".
O uso de drogas e seu impacto na saúde
Um número estável, mas ainda inaceitalvemente alto, de usuários de drogas continua a perder suas vidas prematuramente em todo o mundo, diz o Diretor do UNODC, que estima um total de 187,100 mortes relacionadas com as drogas em 2013. O Relatório Mundial sobre Drogas inclui dados - levantados em conjunto com o UNAIDS, a OMS e o Banco Mundial - sobre a prevalência do HIV entre PUDI. Em alguns países, mulheres que injetam drogas são mais vulneráveis à infecções por HIV do que os homens, e a prevalência do HIV pode ser maior entre as mulheres que injetam drogas do que entre suas contrapartes masculinas. O número de novas infecções por HIV entre PUDI diminuiu aproximadamente 10% entre 2010 e 2013: de uma estimativa de 110,000 para 98,000. Entretanto, o Relatório Mundial sobre Drogas também indica que muitos fatores de risco, incluindo a transmissão de doenças infecciosas como o HIV e a hepatite C e a incidência de overdose por drogas, fazem com que o índice de mortes entre PUDI seja 15 vezes maior do que no resto da população.
Enquanto os dados indicam que o uso de opiódes (heroína e ópio) continua estável a nível mundial e que o uso de cocaína diminuiu globalmente, o uso de maconha e o uso não medicinal de opióides farmacêuticos continuam a crescer. Evidências sugerem que mais pessoas estão sofrendo consequências decorrentes do uso da maconha, e que a maconha pode estar se tornando mais prejudicial, como refletido pela alta proporção de pessoas procurando tratamento pela primeira vez em várias regiões do mundo. A demanda por tratamento também aumentou para tipos de estimulantes baseados em anfetamina (ATS, na sigla em inglês) - incluindo metanfetamina e MDMA ou "Ecstasy" - e para novas substâncias psicoativas (NSP), também conhecidas como "drogas legais".
Fornecimento e mercados de drogas ilegais
Em torno de 32.4 milhões de pessoas - ou 0.7% da população adulta do mundo - usam opióides farmacêuticos e opiáceos como a heroína e o ópio. Em 2014, o potencial de produção mundial de ópio alcançou 7,554 toneladas - o segundo maior nível desde a década de 1930, principalmente, devido ao aumento significativo do cultivo no Afeganistão, o principal país produtor. A apreensão global de heroína, por sua vez, aumentou em 8%, enquanto a apreensão de morfina ilícita diminuiu em 26% de 2012 a 2013.
Enquanto o tráfico marítmo não é a prática mais amplamente utilizada para o contrabando de drogas, operações de aplicação da lei no mar tem potencialmente apresentado o melhor impacto uma vez que a média de volumes apreendidos é proporcionalmente maior. No período de 2009 a 2014, por exemplo, a média para cada apreensão pelo mar foi de 365Kg, enquanto por terra (em rodovias e ferrovias) foi de 107Kg e por ar de 10Kg. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2015 também observa uma mudança na dinâmica das rotas usadas para contrabando de opiácios, com a heroína afegã alcançando novos mercados. Apreensões recentes sugerem que, talvez, tenha se tornado mais comum para grandes carregamentos da heroína afegã serem contrabandeados através do Oceano Índico para o leste e o sul africano. Países africanos ocidentais continuam a servir de transbordo para o contrabando de cocaína através do Atlântico para a Europa, e países do leste europeu estão emergindo como uma área de trânsito e como um destino dessa droga.
O Relatório Mundial sobre Drogas desse ano indica que o cultivo da planta de coca continuou a diminuir em 2013, alcançado o menor nível desde 1990. Com a prevalência de 0.4% na população adulta global, o uso de cocaína continua alto na Europa ocidental e central, na América do Norte e na Oceania (Austrália), ainda que dados recentes demonstrem uma tendência global de declíneo. O uso da maconha está crescendo e continua alto na África ocidental e central, na Europa ocidental e central, na Oceania, e na América do Norte. Dados de 2013 demonstram um aumento na quantidade de ervas de maconha e resina de maconha apreendidas em todo o mundo, alcançando 5,764 e 1,416 toneladas respectivamente.
A metanfetamina domina o mercado global de drogas sintéticas, e está se expandindo no Leste e no Leste-sul da Ásia. O uso de metanfetamina cristal está aumentando em partes da América do Norte e da Europa. Apreensões de ATS desde 2009 - as quais quase dobraram para alcançar mais de 144 toneladas em 2011 e 2012, e continuaram em um alto nível em 2013 - também apontaram para uma rápida expansão no mercado global. Por volta de dezembro de 2014, um total de 541 novas substâncias psicoativas as quais provocam impactos negativos a saúde tem sido relatadas por 95 países e território - um aumento de 20% comparado à cifra de 450 dos anos anteriores.
Desenvolvimento alternativo como uma estratégia a longo prazo contra cultivos ilícitos
O foco temático do Relatório Mundial sobre Drogas de 2015 é o Desenvolvimento Alternativo, uma estratégia a longo prazo que visa desenvolver fontes alternativas de renda para camponeses que dependem do cultivo de drogas ilícitas. Essa atividade é impulsionada por vários fatores, incluindo a marginalização, a falta de segurança, e a situação política e social das comunidades rurais. O Desenvolvimento Alternativo visa reduzir essas vulnerabilidades e, enfim, eliminar o cultivo de drogas ilícitas. Mais de 40 anos de experiência tem demonstrado que essa abordagem funciona quando existe uma visão a longo prazo, financiamento adequado, e suporte político para integrar o tema em um desenvolvimento mais amplo e na agenda de governança. A comercialização de produtos lícitos, a posse de terra e o gerenciamento e uso sustentável da terra são cruciais para o sucesso a longo prazo das intervenções do Desenvolvimento Alternativo.
"Infelizmente, o Relatório Mundial sobre Drogas desse ano também demonstra que o suporte político amplamente difundido para o Desenvolvimento Alternativo não tem sido seguido pelo suporte financeiro", acrescenta o Sr. Fedotov enquanto pede para que a responsabilidade quanto às drogas ilícitas seja compartilhada. O financiamento proveniente dos países da OCDE para apoiar o Desenvolvimento Alternativo diminuiu em torno de 71% entre 2009 e 2013, totalizando apenas 0,1% da assistência para o desenvolvimento global. O Diretor Executivo do UNODC observou que na direção da Sessão Especial da Assembléia Geral da ONU do próximo ano sobre o problema das drogas, a Agenda de Desenvolvimento pós-2015 da comunidade internacional pode ajudar a promover esforços de Desenvolvimento Alternativo, o qual amplia intervenções com relação a oferta e a demanda de drogas.
******************
Se você precisa de ajuda ou conhece alguém que precise acesse:
www.clinicauplife.com.br
#clinicauplife

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

AÇÃO DE PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS NAS ESCOLAS COMEÇA A SER DISCUTIDA

Comissão aprova inclusão da família e comunidade nas ações contra drogas em escolas

Agência Câmara de Notícias
...
A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado aprovou na última quarta-feira (29) o Projeto de Lei 2046/11, da deputada Iracema Portella (PP-PI), que define critérios para a implantação de ações pedagógicas de prevenção ao uso de drogas em escolas públicas e privadas.
Reprodução/TV Câmara

Rosane Ferreira: a base da solução para o problema das drogas está na família e na comunidade.
O parecer da relatora, deputada Rosane Ferreira (PV-PR), foi favorável à proposta. “Se temos a pretensão de enfrentar essa verdadeira epidemia que assola o mundo inteiro e que tem levado à destruição de muitas vidas, a base da solução está no ambiente familiar e na comunidade nas quais se inserem o usuário e o dependente de drogas”, afirmou.
Segundo a proposta, essas ações deverão respeitar sete regras:
– incluir a família e a comunidade;
– ser realizada considerando a necessária integração das ações dos órgãos e entidades públicas e privadas nas áreas de saúde, sexualidade, planejamento familiar, educação, trabalho, assistência social, previdência social, habitação, cultura, desporto e lazer;
– promover a ampla participação social na sua formulação;
– desenvolver a capacitação dos profissionais da educação para a prevenção ao uso de drogas;
– habilitar os professores e profissionais de saúde a identificar os sinais relativos à ingestão abusiva de álcool e de outras drogas e o seu devido encaminhamento;
– valorizar as parcerias com instituições religiosas, associações e organizações não governamentais para o planejamento e execução das campanhas de prevenção; e
– promover a avaliação das campanhas.
O texto altera a Lei 11.343/06, que Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad) e prevê a implantação de projetos pedagógicos de prevenção do uso indevido de drogas, nas escolas, alinhados às Diretrizes Curriculares Nacionais e aos conhecimentos relacionados a drogas.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado agora pelas comissões de Educação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
•PL-2046/2011
Reportagem – Lara Haje
Edição – Rachel Librelon
***************
SE VOCÊ PRECISA DE AJUDA OU CONHECESSE ALGUÉM QUE NECESSITE ACESSE O site www.clinicauplife.com.br

BUSCAR TRATAMENTO PARA MENORES DE 18 ANOS É DIFICIL

Internação de dependentes químicos exclui adolescentes e deixa 30% fora

Em Campinas, um em cada três que buscam ajuda é menor de idade.
...
O programa do governo do estado só atende usuários a partir de 18 anos.
Do G1 Campinas e Região
Entre os dependentes químicos que procuram ajuda para se livrar das drogas em Campinas (SP), 30% são adolescentes, de acordo com a Coordenadoria de Prevenção às Drogas da cidade. De janeiro a outubro deste ano foram cerca de 150 meninos e meninas nessa situação. Mas as famílias que buscam locais na rede pública para internar os menores para tratamento não encontram e voltam para casa sem esperança. O Programa Recomeço do governo do estado, que financia as internações em clínicas, só atende maiores de 18 anos e não há ajuda gratuita equivalente na cidade.
Os adolescentes que procuram o tratamento por meio de internação diretamente na coordenadoria são orientados a buscar atendimento nos serviços de saúde, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs). O problema é que nesses locais é oferecido um tratamento ambulatorial, no qual o jovem volta para casa.
De acordo com a Prefeitura, as atividades seguem o Estatuto da Criança e do Adolescente, que orienta que os menores não podem ser retirados do convívio da família e da comunidade. Além disso, a administração afirma que o programa dos CAPs atende a demanda da cidade.
Segundo o coordenador do programa de prevenção, Nelson Hossri, um projeto semelhante ao Recomeço está sendo discutido com o governo estado para que menores de 18 anos tenham direito à internação em 2015.
Esperança na internação
Para um dos internos do Instituto Padre Haroldo, em Campinas, o tratamento intensivo poderia ter feito diferença na luta contra as drogas. O homem, que preferiu não ser identificado, começou a usar entorpecentes com 10 anos de idade e há 20 anos é dependente. "Eu estaria salvo, como estou hoje", conta o interno.
Ter menores usando drogas na família interfere na vida de todos. Uma mãe, que também não quis ter a identidade revelada, teve dois filhos, de 14 e 16 anos envolvidos com drogas. "A casa eles quebravam, levavam o que dava, brigavam entre si", afirma. Ela conseguiu tratamento para um dos filhos após uma avaliação médica e uma briga na Justiça, o caminho para ter direito a internação no caso de adolescentes.
"No Juizado da Infância e Juventude eu falei - o que posso fazer? Eles precisam de tratamento, psiquiatra, psicólogo, porque é um distúrbio. Hoje eles não estariam do jeito que estão", desabafa. Um dos filhos está preso e o outro saiu da cidade depois que deixou a clínica.
Indicação
A internação não é indicada para todos os casos de dependência de entorpecentes, de acordo com a o programa municipal. Somente nas situações de vício em que há a necessidade de respeitar o período de abstinência, que esse tratamento garante. Mas é, de fato, um distúrbio que precisa de acompanhamento especializado, segundo o psiquiatra Geraldo José Ballone.
"Todos nós sabemos que ambulatoriamente não se garante abstinência. Ideal seria se pudesse pegar o menor e conduzí-lo a um tratamento de internação rapidamente e precocemente, tão precoce quanto está sendo o problema dele", explica Ballone.
****************


SE VOCÊ CONHECE ALGUÉM COM ESTE PROBLEMA E QUE PRECISA DE AJUDA ACESSE O SITE www.clinicauplife.com.br

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

ESPECIALISTAS SUGEREM MUDANÇAS NO COMBATE AO CRACK

Médicos pedem mais tempo de internação e ampliação da rede de apoio aos usuários.


Médicos ligados à luta contra o crack afirmam que os elevados índices de recaída e reinternação apontados por uma pesquisa gaúcha — quase 90% dos jovens voltam a fumar a pedra três meses após receber alta — reforçam a necessidade de aprimorar o método de tratamento no país.
Segundo especialistas, o sistema público ainda oferece poucos leitos, períodos curtos de internação e não consegue acompanhar o usuário após a alta para prevenir ou reverter eventuais recaídas. Um dos principais problemas, para o psiquiatra e ex-diretor do Hospital Psiquiátrico São Pedro Luiz Carlos Illafont Coronel são as "altas precoces" dos dependentes — geralmente, o período de internação autorizado pelo SUS é inferior a um mês.
— Na Inglaterra, se preveem internações de 30 a 90 dias para depressão grave, o que poderia servir como um parâmetro. Mas o ideal é que o prazo dependesse apenas da condição do paciente. O que se faz hoje é absurdo — afirma o psiquiatra.
Coronel afirma que, segundo levantamentos realizados no país, ao redor de um terço das mortes de usuários de crack são motivadas por altas antecipadas — por razões de saúde ou causas indiretas como envolvimento com a criminalidade ou traficantes. Outra dificuldade é a falta de leitos psiquiátricos — que já chegaram perto de 200 mil no país e hoje estão em 32 mil. Segundo um relatório elaborado por sete entidades médicas, o Estado perdeu 36,7% dos leitos de psiquiatria entre 1993 e 2013.
Em consequência, dependentes como o trabalhador autônomo Solon Santos da Silva Filho, 37 anos, recorrem a sucessivas internações e lidam com uma frequente falta de vagas. Ele está em seu quinto tratamento desde 2010: já passou por três internações em clínicas pelo SUS e está na segunda temporada em uma comunidade terapêutica, de Gravataí. Nas clínicas, conseguiu ficar no máximo um mês, o que considera "muito pouco". Também precisou superar obstáculos para garantir leito:
— Na minha segunda internação, tive de recorrer a uma ordem judicial para conseguir vaga. Mesmo assim, não adiantou e recaí. Agora, já estou há oito meses e 10 dias na comunidade terapêutica — conta.
O presidente da Associação de Psiquiatria do Estado e conselheiro da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Carlos Salgado, afirma que é necessário investir em ações como medicina comunitária, que permita acompanhar o dependente fora do hospital, aumentar a oferta de leitos psiquiátricos e aprimorar o treinamento dos profissionais de saúde para lidar melhor com a epidemia da droga.


Fonte: Zero Hora - por Marcelo Gonzatto

sábado, 20 de abril de 2013

ME SEPAREI POR AMOR E AINDA ACREDITO EM UM FINAL FELIZ PARA NOSSA HISTÓRIA

“Me separei por amor e ainda acredito em um final feliz para nossa história”

Mãe de três filhos, pós-graduada e apaixonada por um dependente químico, Polyana diz ter aprendido amar o próximo como ama a si

Polyana, pela segunda vez, é paciente secundária da dependência química. A primeira ela experimentou no papel de filha: “Aos 16 anos, meu pai morreu de overdose”.
A segunda, ainda está em curso. O marido, pai de dois dos seus três filhos, está internado para tratar o uso compulsivo de crack e cocaína.

Na primeira experiência, ela não compreendeu que o próprio comportamento poderia ser nocivo e precisava ser tratado. Agora, aos 35 anos, entende o conceito de codependente e diariamente comprova que o amor que sente pelo marido não pode ser transformado em ingrediente para a doença dele ou em gatilho para a ansiedade e depressão dela.

Hoje ela prepara o segundo livro sobre o assunto, com a experiência do blog "Amando um dependente químico". Todas as obras foram assinadas com o pseudônimo Polyana.
“Ainda acredito em um final feliz para a nossa história e esse otimismo que me persegue é muito 'poliano'”, diz ela, em referência ao romance infanto-juvenil do início dos anos 80, que acabou transformando o nome da protagonista em sinônimo para visão otimista.
“Sou formada, pós-graduada e casada com um dependente químico. É um problema que pode acontecer com qualquer um. Entendi que os dias de dores podem ser seguidos por dias de superação”, diz ela, que mora em Brasília e hoje trabalha para ajudar pessoas com histórias parecidas. Leia a entrevista.

A história com o seu pai, de alguma forma, interferiu na história com o seu marido?
Polyana: De alguma forma, acredito que sim. Meu pai usou droga dos 17 aos 51 anos, idade em que morreu por causa de uma overdose. Eu cresci vendo um pai alienado, depois alucinado e depois ausente. Não tinha uma noção exata, mas de certa forma avalio que esta experiência criou em mim uma tolerância às drogas. Ficou marcado em mim que tudo que eu não pude fazer por ele eu faria por outra pessoa. Tanto que conheci meu marido em um bate-papo virtual e desde o primeiro momento ele me disse que era usuário de cocaína. Eu morava em Brasília e ele nos Estados Unidos. Uma das primeiras perguntas que fiz foi se ele tinha algum vício. A resposta afirmativa poderia ter afastado outra pessoa, mas em mim despertou a curiosidade de saber mais sobre aquela história. Hoje tenho a certeza que já era o meu comportamento codependente, essa necessidade de salvar. Nos falávamos diariamente, por telefone, e surgiu algo mais. Óbvio que não era por causa da droga. Ele é admirável, inteligente, parceiro. Nos conhecemos em julho, em dezembro eu estava desembarcando nos Estados Unidos. Na minha cabeça, eu imaginava que o amor seria suficiente para tirá-lo do mundo das drogas.
 
E quando veio a constatação de que seu amor não era suficiente, como você ficou?
Polyana: Foram dias, anos, de muita culpa e frustração. Nos primeiros três anos, eu não sabia o que era codependência. Achava que todo o meu sofrimento era por culpa da dependência dele e não me dei conta que parei de viver. Vivia para isso. Ele passava momentos sem usar drogas e outros usando muito e quando vinham as recaídas eu pensava o que eu tinha feito de errado. É um peso nas costas. A gente não sabe que precisa de ajuda também. A vida fica parada, milimetricamente controlada, em sobressalto. ‘Será que se eu não fizesse aquela cara feia, ele não teria recaído?’ é só um exemplo dos pensamentos que eu tinha com frequência.

Quando você conseguiu mudar de postura?
Polyana: É uma luta diária. Eu amo o meu marido e há três semanas o deixei, por amor. Buscando ajuda para mim, compreendi que o impedia de arcar com as consequências do uso de droga pois assumia todas as consequências como falhas minhas. É uma postura doentia que atrapalha dos dois lados. Para um codependente, dizer não é mais difícil do que dizer sim e com isso você vai tolerando comportamentos abusivos. Do outro lado, o dependente também vai repetindo as condutas de abuso por não enxergar as consequências. É uma falsa cumplicidade que afunda os dois lados.

Neste processo, como ficaram seus três filhos?
Polyana: Tenho dois filhos com ele, um de 3 anos e um mais novo, de 1 ano. E uma menina mais velha, de 11 anos, de outro relacionamento. A mais velha já foi deixada de lado no início e, certa vez, em um dos grupos de apoio, me perguntaram se seria preciso ela começar a usar drogas também para ganhar a minha atenção. Minha ficha caiu. Separei o papel de esposa do papel de mãe. Meus outros filhos foram muito desejados e gerados em períodos de abstinência, em que eu já havia começado a estudar e a fazer tratamento para a codependência. A decisão atual de me separar foi por causa deles. Pela primeira vez, meu marido colocou em risco meus filhos e os levou, junto com ele, para comprar drogas. Não tolerei e me afastei. Ele procurou uma clínica e está internado. Eu ainda espero um final feliz para a nossa história, mas sei que ele é responsável pela própria recuperação.

Você não teve medo de ficar ainda mais culpada por causa do afastamento, com a sensação de que estava abandonando o pai dos seus filhos?
Polyana: Estudando codependência a gente se dá conta de uma coisa. Você conhece um ser humano, um só, que diz: olha, eu resolvi procurar ajuda porque a minha esposa me apoia demais’? Eu nunca vi e conheço milhares de dependentes. Estudá-os virou minha profissão e hoje como funcionária pública da secretaria de Justiça desenho projetos que foquem nas famílias. A recuperação deles não está nas nossas mãos. Tirar a culpa da costas não é uma opção egoísta. É amar o próximo como amar a si e isso quem prega não sou eu. Permitir que o dependente químico arque com as consequências é o único caminho para recuperação dele.

Você descobriu como cuidar de si sem abrir mão do apoio familiar, tão lembrado pelos psiquiatras como aspecto importante na recuperação do doente?
Polyana: Sou contra o abandono. Como eu apoio? Busquei ajuda para mim. Nos grupos a gente aprende a lidar com essas pessoas e entende que elas precisam de limites. Deixar que eles tenham responsabilidades é a forma mais eficaz de dizer que você confia nele pois acredita que ele é capaz. Fazer por ele é, indiretamente, dizer que ele não é capaz de fazer sozinho.

Você chegou a adoecer?
Polyana: A gente sempre adoece. Tive tremores, dor de cabeça, insônia, ansiedade e depressão. Parei minha vida. Se não me tratasse, não estaria inteira para este processo de recuperação que meu marido inicia. Sou mãe, apaixonada, mas sou mulher, tenho minhas vontades e meus sonhos. Se os projetos cuidassem mais das famílias, incentivando e orientado condutas assertivas, tenho certeza de que o número de finais felizes seria maior.

Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-04-17/me-separei-por-amor-e-ainda-acredito-em-um-final-feliz-para-nossa-historia.html
****************************************************
SE VOCÊ TEM PROBLEMAS  COM DROGAS OU CONHECE ALGUÉM QUE PRECISE DE AJUDA ACESSE www.clinicauplife.com.br

sexta-feira, 19 de abril de 2013

ASSUMIR QUE O FILHO É DEPENDENTE QUÍMICO É A PIOR COISA PARA UMA MÃE

“Assumir que o filho é dependente químico é a pior coisa para uma mãe”

Luisimar Alvares há 13 anos convive com um filho viciado, hoje em recuperação. Ela conta como a mudança de postura resultou em uma nova forma de encarar as drogas

Professora de adolescentes em Campinas (interior de SP), Luisimar Alavres encarava as drogas “como um problema dos outros” até encontrar maconha nas coisas do filho. Achou que era uma fase e que iria passar.
Foram 13 anos convivendo com os mais variados tipos de entorpecentes – crack, cocaína, ecstasy – e com a sensação de que só ela salvaria o filho.
“Dei espaço para o meu filho ser protagonista da própria recuperação”, diz ela, sobre a principal lição que aprendeu nos grupos terapêuticos que acolhem parentes dos dependentes químicos enquadrados no conceito de codependentes.
Hoje ela é voluntária do Amor Exigente (o principal grupo brasileiro voltado às famílias), continua dando aulas e vive o “só por hoje”, ensinamento vital para quem usa drogas e para quem ama e convive com um usuário.
Luisimar define um dia perfeito, como aquele que tem 24 horas “sem conflitos” ou “com conflitos solucionados” em 24 horas e agradece por ter se livrado do sabor “amargura” que tinha na boca quando contava a própria história. “Tenho orgulho da pessoa melhor que me tornei”.

Como você percebeu que a droga fazia parte da sua família?
Luisimar: Sou professora de português e as drogas sempre fizeram parte da temática das minhas aulas. Por estudar o tema, parecia que eu tinha uma imunidade a este problema. Foi então que meu filho, quando estava no 3º ano do ensino médio, começou a mudar de comportamento, ficou diferente, repetiu de ano. Eu só tinha visto droga em fotografias e achei um ‘matinho’ estranho nas coisas dele. Não reconheci na hora. Levei a uma delegacia próxima de casa e disseram que era maconha. No primeiro momento, não achei que era grave e aí os problemas começaram. Tinha certeza de que era uma fase, que iria passar. Ele tinha 16 anos. Hoje tem 29. Treze anos depois, ainda não passou. Maconha, cocaína, crack, ecstasy, tudo que você pode imaginar, passou na vida do meu filho e também fez parte da minha vida.

Quando você percebeu que o seu comportamento com ele precisava mudar?
Luisimar: Desde o início, eu frequentei grupos de pais e familiares de dependentes químicos, nas reuniões do Amor Exigente. Mas não me reconhecia naquele ciclo da droga, não sentia que participava ativamente da dependência do meu filho. Caí no jogo da culpa e, de forma inconsciente, o meu comportamento alimentava o comportamento do meu filho e vice-versa. Você passa a ser feliz só quando ele é feliz. Eu passei a querer tomar atitudes por ele. Fiquei com a sensação de que eu, só eu, era capaz de salvá-lo. Mas quando você olha a dependência de dentro do olho do furacão, um ponto crucial passa despercebido: o dependente químico, sem perceber, busca o conflito para justificar o uso de drogas. Então, por mais que eu me esforçasse para fazer da minha casa um ambiente de paz, do nada, uma briga explosiva acontecia.
Eu achava que a solução e o controle estavam nas minhas mãos. A sensação era a mesma de apertar uma gelatina. E essas tentativas frustradas de manter uma paz falsa, frágil, só me davam culpa. Passei a atender a todas as vontades do meu filho. Quando ele se trancava no quarto, achava que ele estava seguro e quase não respirava na sala. Levantava 200 vezes, encostava o ouvido na porta para sentir que estava tudo bem. Então, vinha o vendaval violento. Ao meu filho, a mensagem era de que ele tinha a justificativa que queria para sair de casa e passar dias e dias sem aparecer, só usando drogas. A mim, restavam a culpa e a falsa ideia de que, em uma próxima vez, eu faria diferente e a briga não aconteceria.

A sensação de culpa também atrapalhava a consciência de que você precisava mudar?
Luisimar: Assumir que o filho é dependente químico é pior coisa para uma mãe. É uma doença considerada um problema de caráter. Se ele tem rinite, todo mundo protege. Quando é usuário de droga, não há a compreensão de que se trata de uma doença. Trata-se como uma falha pessoal, da criação. A negação é o primeiro passo e eu fiz coisas horríveis, como ir até a casa de um amigo dele e aos berros dizer para a outra mãe que ela era responsável por tudo de ruim que tinha acontecido com o meu filho. Foi quando esgotei as minhas possibilidades que entendi que não dependia de mim. Ao contrário. Se ele não tivesse o papel principal no processo de recuperação dele, não iríamos sair do lugar. A codependencia, um termo que eu só aprendi depois, exacerba o amor e você fica cega. Você tem recaídas igual ao usuário de droga. É preciso entender quais são os limites e esse entendimento é doloroso, mas também libertador.

Isso significa que você precisou se afastar do seu filho?
Luisimar: Quando os problemas com as drogas agravaram, eu tinha acabado de separar do meu marido. Meu filho foi para a internação compulsória (contra a vontade do usuário) e é uma sensação horrível. Você se sente sozinha, culpada. Ele saiu da primeira internação e voltou para as drogas. Desde então, foram repetidas idas e vindas. Não digo que me afastei, mas precisei mudar de postura. Aprendi a dizer e a entender que ou ele mudava de comportamento ou ele mudava de casa. Isso porque, em meio às chantagens, ele me dizia que se eu o deixasse fumar maconha dentro de casa, ele não iria mais embora. Não cedi. E defini o que queria para dentro da minha casa. Ele foi internado quatro vezes e nenhuma deu certo porque, em todas, ele havia decidido pelo tratamento por minha causa e não por causa prória. Quando eu e o pai dele deixamos espaço para ele ser protagonista da própria história, a coisa mudou de figura.

Seu filho está limpo (sem usar drogas) há 10 meses. Honestamente, você voltou a confiar nele?
Luisimar: Eu confio na minha postura e sempre quando entendo ser cabível dou um voto de confiança a ele. Sei que ele esta se segurando, está apaixonado, resolveu morar com uma moça e tenho orgulho da vida com limites que ele leva agora. Mas também não sou ingênua e sei da dificuldade que ele tem de se organizar a longo prazo. Não é falta de confiança, mas não me frustro mais quando ele planeja, por exemplo, pagar uma conta em 10 prestações e lá na quarta ou quinta acaba recorrendo à minha ajuda porque se atrapalhou. Um dia de cada vez. Para ele e para mim.

O seu amor por ele mudou?
Luisimar: Fragilidade amorosa eu não tenho mais, mas meu filho é o maior amor que eu sinto no mundo. A passionalidade eu perdi e ele compreende isso. Ele me reconhece como alguém segura, autônoma, sabe que pode contar comigo, sabe do meu amor e sabe que por ele eu me obriguei a ser uma pessoa melhor. O fato dele ter me tirado o chão fez com que eu buscasse um solo mais forte, menos arenoso. Meu filho sabe que para conviver com isso ele não pode me ferir. Eu não sinto mais um sabor amargo na minha boca ao contar essa história.

Você chegou a adoecer fisicamente nesse período?
Luisimar: Dizer que não é mentira. Eu somatizo problemas na boca e na garganta, ranjo os dentes. É uma transferência inevitável. Você assiste o outro doente e quer adoecer também. Eu me sentia mal por estar bem. Viajar foi algo que eu nunca deixei de fazer, mesmo nos momentos mais turbulentos. Durante os trajetos, tinha crises de dores incríveis que agora são controladas. O “decolar” era complicadíssimo, ainda é. Mas é o meu prazer, momento em que eu relembro de cuidar de mim. Uma vida boa, que valoriza as pequenas coisas, é o maior presente que só eu posso me dar.

Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-04-17/assumir-que-o-filho-e-dependente-quimico-e-a-pior-coisa-para-uma-mae.html
*****************************************
SE VOCÊ TEM PROBLEMAS COM DROGAS OU CONHECE ALGUÉM QUE PRECISE DE AJUDA ACESSE www.clinicauplife.com.br

quinta-feira, 18 de abril de 2013

ME SENTIA TAO SOZINHA E ABANDONADA QUE ACABEI ADOECENDO TAMBÉM

O pai de Isabella Moraes usou crack por 20 anos e ela desenvolveu anorexia e depressão. ‘Diziam que eu tinha de superar por ser rica e bonita’


Isabella Moraes é filha de um dependente químico em recuperação e quer mostrar que as drogas afetam inclusive as famílias ricas

Isabella, 37 anos, é herdeira de uma família de ricos empresários do Rio de Janeiro. Filha mais velha de João Flávio de Moraes, que já chegou a ocupar o posto de dirigente do poderoso grupo Supergasbras, ela diz ter pagado com a própria saúde o preço da história familiar ter o crack como um dos “longos capítulos”.

João Flávio usou a pedra por 20 anos e perdeu amigos e prestígio durante as compulsivas pitadas. Isabella assistiu a tudo.
“Me sentia tão sozinha e abandonada que acabei adoecendo também”, diz Isabella Moraes, que desenvolveu o transtorno alimentar chamado anorexia e a depressão, como uma espécie de “pedido de socorro” para ser vista pelos pais.
Sobrevivente da chamada codependência, ela diz estar em constante recuperação neste período de quase 8 anos em que o pai não tem mais recaídas nas drogas. Reuniu a experiência no livro “Agora é viver”, lançado no próximo dia 18 pela editora Rocco.
Nem todos da família gostaram da exposição da trajetória familiar (o pai é um dos apoiadores), mas Isabella avalia que trazer o assunto é uma forma de alertar que dinheiro não é vacina contra a dependência química.
 
“Também quero abordar o papel da família, a importância do cuidado dos parentes e não só dos dependentes químicos. Cansei de ouvir que eu tinha de superar (a depressão e a anorexia) por ser rica e bonita”, conta ela.

Cursando jornalismo e dividindo a experiência no blog “Somos todos iguais”, ela afirma que o sonho é se tornar uma porta-voz da causa. Leia a entrevista.

Você também adoeceu por causa do crack usada pelo seu pai sem nunca ter usado nenhum tipo de droga?
Isabella Moraes: Claro. Por causa da desestruturação familiar que eu vivi me sentia tão sozinha e abandonada que acabei adoecendo também, ainda muito pequena. Os filhos pagam o preço pelo uso de droga pelo pai ou pela mãe. Não há como uma criança crescer saudável em um lar onde não existem limites e o amor é dado de maneiras estranhas. Altos e baixos, cenas de uso de drogas, medos, assistir ao pai alterado... Isso não é ambiente para se viver, não é mesmo? Hoje, vejo que era o meu inconsciente querendo dizer aos meus pais: olhem, estou ficando doente, cuidem de mim...Hoje estou curada da anorexia e da depressão e após muita luta tenho uma vida feliz e saudável ao lado do meu filho.

As pessoas ainda ficam surpresas quando se deparam com histórias de famílias que, mesmo abastadas financeiramente, acabam envolvidas com drogas. Por que você acha que isso acontece?
Isabella Moraes: Porque as pessoas em geral não tem a menor noção de que entrar para o mundo das drogas não é uma questão de escolha e, sim, uma fraqueza. Uma fraqueza forte. A pessoa experimenta droga como se fosse tomar um remédio para aliviar a dor. Só que se ela for dependente química, pode acabar se viciando e aí o caminho muitas vezes é sem volta. Não é porque uma pessoa é rica ou bonita que ela é feliz. Se ela procurou as drogas, tenha certeza, ela apenas buscou preencher um vazio. Dizer ou acreditar que quem usa droga é um sem-vergonha é um preconceito muito triste. Eu sei que existe de tudo, mas hoje sei que muitas vezes o doente cai no ciclo do vício sem perceber o mal que provoca. Falta muito conhecimento sobre este tema no Brasil.

Você já sentiu raiva do dinheiro que tinha?
Isabella Moraes: Sim, várias vezes. Hoje vejo o dinheiro como uma necessidade para viver bem e educar meu filho. Claro que dinheiro é bom. Mas não é a receita para a felicidade, posso dizer isso com toda a certeza. A receita para a felicidade é encontrar o seu eu e aceitar-se como é. Assim se sentirá livre para viver como quer, sem se preocupar com o julgamento dos outros. É dessa forma que vivo hoje.

Recentemente, tivemos o caso do cantor Chorão, que morreu de overdose. A mulher dele foi muito cobrada por ter se distanciado quando o uso da droga pelo cantor ficou mais intenso. Você também sentiu, de alguma forma, a cobrança por ser filha de um dependente químico?
Isabella Moraes: Meus irmãos, minha mãe e eu nunca nos distanciamos de meu pai. Até hoje cuidamos dele e estamos sempre com ele. Talvez se tivéssemos nos distanciado ele poderia ter acordado antes e, quem sabe, teria melhorado. Não há regras. Ele é uma pessoa maravilhosa que foi vítima do crack e da falta de limites. Tive cobranças dentro de casa sim. Diziam: ‘Isabella você é a filha mais velha, você tem que cuidar, salvar o seu pai’. Escuto isso desde pequena. Era um peso para mim, pois eu realmente acreditei que meu papel era cuidar de todos. Chegou uma hora em que, por amor a mim e por amor ao meu filho, saí de casa e fui cuidar de nós. Ainda estou correndo atrás do tempo que perdi não cuidando de mim. Estou recolhendo os meus caquinhos.

Você perdoou seu pai? Foi difícil este processo? Tem algo que ainda machuca?
Isabella Moraes: Sim, perdoei. Consegui perdoar, pois hoje tenho a clareza de que o estrago que ele fez não foi proposital. Ele é um homem bom, que ama seus filhos. Ele foi fraco, caiu em uma cilada, seus pais não deram limites. O processo de perdão foi difícil e ainda é. Um dia de cada vez. Mas eu amo tanto ele que isso se torna mais fácil. Tem muitas coisas que ainda me machucam. Mas hoje tenho a maturidade para lidar com a dor e os traumas que ainda carrego.

Você vai lançar um livro contando a sua história, uma exposição que não foi bem aceita por parte de seus familiares. Quem da sua família é contrário ao livro e por que você acredita que a exposição pode trazer benefícios?
Isabella Moraes: Minha família é maravilhosa mas muitos ainda não superaram os traumas e, por isso, não aceitam essa exposição, o que eu entendo. Não tem nada sendo revelado por mim. O estrago foi feito há anos. Agora, estou apenas contando minha história, como eu vivi isso e, principalmente, como consegui superar. Vou, inclusive com meu livro, redimir minha família. Acredito que os benefícios serão grandes. Quem tem esses problemas psíquicos sempre tem vergonha de se expor.

O nome do seu livro é "Agora é viver", uma historia de codependência. Quando você acha que se sentiu pronta para a vida?
Isabella Moraes: Acredito que desde que meu filho nasceu . Ele foi crescendo e eu também. João Flavio, meu filho (16 anos), me deu força, coragem e me ensinou o que é o verdadeiro amor. Hoje aos 37 anos e após muitas lutas me sinto preparada para apenas viver. Ser feliz e cuidar de mim.

Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-04-17/me-sentia-tao-sozinha-e-abandonada-que-acabei-adoecendo-tambem.html
********************************************

SE VOCÊ TEM PROBLEMAS COM DROGAS OU CONHECE ALGUÉM QUE PRECISE DE AJUDA ACESSE: www.clinicauplife.com.br

quarta-feira, 17 de abril de 2013

SEM NUNCA USAR CRACK, FAMILIARES ADOECERAM POR CAUSA DA DROGA

Sem nunca usar crack, elas adoeceram por causa da droga

Filha, mãe e mulher de dependentes químicos, Isabella, Lusimar e Polyana personificam a doença que afeta os parentes dos usuários

Na órbita da dependência química estão pais, mulheres, maridos, irmãos, amigos e filhos. Pessoas que adoecem, mesmo sem estarem mapeadas pelas pesquisas que quantificam usuários de drogas. A estimativa dos estudiosos é de que para cada pessoa no alvo direto das drogas, são nove afetados de forma secundária.
Só para o crack, em uma matemática simples, chega-se a 9 milhões de adoecidos. Isso porque, segundo levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o Brasil concentra 1 milhão de viciados nos efeitos tóxicos da pedra.

Isabella Moraes, 37 anos, Lusimar Alvares, 62 anos e Pollyana A.D, 35, são exemplos de pacientes que adoeceram sem nunca terem usado o cachimbo. Em ordem, são filha, mãe e mulher de usuários em recuperação, que acabaram deprimidas, ansiosas e com dores crônicas, transtornos desencadeados pela dependência química de seus entes queridos.
Segundo Carlos Ribaldo, presidente da Federação Brasileira Amor Exigente – entidade que reúne os mais de 50 grupos terapêuticos focados em familiares de dependentes químicos – não tratar e acolher esta população chamada “codependente” é errar duplamente:
“Primeiro, porque as famílias sofrem e acabam excluídas de um tratamento”, afirma Ribaldo. “Depois, e o mais importante, é que os familiares são peças decisivas na recuperação do dependente químico. Apoiar não significa ficar ao lado incondicionalmente, muitas vezes alimentando de forma inconsciente o comportamento compulsivo do dependente químico”, avalia.
“Não orientar as famílias é ajudar a manteros resultados ainda muito modestos (menos de 40%) de recuperação dos dependentes químicos.”
As três co-dependentes, depois que descobriram o que é ser codependente, confirmam a avaliação de Carlos Ribaldo. Em entrevista, contaram como mudaram de postura e sobreviveram à dependência química indireta.
Acompanhe as entrevista a partir de amanhã aqui no blog.

Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-04-17/sem-nunca-usar-crack-elas-adoeceram-por-causa-da-droga.html
***********************************************
SE VOCÊ TEM PROBLEMAS COM DROGAS OU CONHECE ALGUÉM QUE PRECISE DE AJUDA ACESSE: www.clinicauplife.com.br

domingo, 14 de abril de 2013

SAIBA COMO O ÁLCOOL AFETA O CORPO

Saiba como o álcool afeta o corpo

Além dos efeitos já conhecidos, o consumo excessivo gera problemas de saúde mental, perda de memória e diminuição da fertilidade

Os efeitos do consumo do álcool a curto prazo são conhecidos: ressacas, cansaço, má aparência. A longo prazo, a ingestão da substância está associada a várias condições, entre elas o câncer da mama, câncer oral, doenças cardíacas, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e cirrose hepática, entre outras.
Getty Images
Álcool: não há dose segura de consumo, dizem especialistas
Pesquisas também associaram o consumo de álcool em doses elevadas à problemas de saúde mental, perda de memória e diminuição da fertilidade. Entretanto, estudos também concluíram que, ingerida com moderação, a substância pode ter um efeito benéfico, ajudando a proteger o coração ao elevar os índices de bom colesterol no organismo e impedir a formação de coágulos sanguíneos.
As mensagens são contraditórias, levando especialistas ouvidos pela BBC a recomendar que as autoridades sejam mais claras em suas campanhas de conscientização. Não existe nível absolutamente seguro de consumo de álcool, dizem. Mas se você quer beber, não exceda 21 unidades por semana para homens e 14 unidades por semana para mulheres.

Problemas cardíacos e câncer
A ingestão de mais de três copos de bebida alcoólica por dia prejudica o coração. O consumo excessivo, especialmente a longo prazo, pode resultar em pressão alta, cardiomiopatia alcoólica, falência cardíaca e AVCs, além de aumentar a circulação de gorduras no organismo.
As associações entre o consumo de álcool e o câncer também são bastante conhecidas. Um estudo publicado no British Medical Journal no ano passado concluiu que o consumo de álcool provoca pelo menos 13 mil casos de câncer por ano na Grã-Bretanha, nove mil em homens e quatro mil em mulheres.
O efeito negativo do álcool para a saúde em geral pode estar associado a uma substância conhecida como acetaldeído – produto em que o álcool é transformado após ser digerido pelo organismo. Essa substância é tóxica e experimentos demonstraram que ela danifica o DNA. O cientista KJ Patel, que trabalha no laboratório de biologia molecular do Medical Research Council, na Grã-Bretanha, vem pesquisando os efeitos tóxicos do álcool.
"Não há a ocorrência de uma célula cancerosa a não ser que o DNA seja alterado. Quando você bebe, o acetaldeído está corrompendo o DNA da vida e colocando você no caminho para o câncer".

Imunidade e fertilidade
Um relatório publicado recentemente na revista científica Bio Med Central (BMC) Innunology revelou que o álcool afeta a capacidade do organismo de combater infecções virais. E estudos sobre fertilidade indicam que mesmo o consumo moderado da substância diminui a probabilidade de uma mulher conceber. Nos homens, o consumo excessivo diminui a qualidade e quantidade de esperma.
KJ Patel acaba de completar uma investigação sobre os efeitos tóxicos do álcool sobre ratos. Seu estudo indica que uma única dose excessiva de álcool durante a gravidez pode ser suficiente para provocar danos permanentes sobre o genoma do feto. A Síndrome Alcoólica Fetal, segundo Patel, "pode resultar em crianças com danos sérios, nascidas com anomalias na cabeça e face e com deficiências mentais".

Fígado
O médico Nick Sheron, que comanda a unidade de fígado do Southampton General Hospital, na Inglaterra, disse que os mecanismos por meio dos quais o álcool prejudica o organismo não são claros.
"A toxicidade do álcool é complexa, mas sabemos que há um relacionamento próximo e claro".

Quanto maior a ingestão semanal, maior o dano ao fígado e esse efeito aumenta exponencialmente em alguém que bebe de seis a oito garrafas de vinho – ou acima disso – nesse período. Segundo Sharon, nas últimas duas ou três décadas, houve um aumento de 500% no número de mortes por doenças do fígado na Grã-Bretanha. Dessas, 85% foram provocadas pelo álcool. O ritmo desse crescimento começou a diminuir, mas muito recentemente.
"O álcool tem um impacto maior sobre a saúde do que o fumo porque ele mata em uma idade menor". Segundo o especialista, doenças do fígado provocadas pelo consumo de álcool matam por volta dos 40 anos de idade.

Álcool x heroína, crack e cocaína
O consumo de álcool é, cada vez mais, um problema de saúde pública. No início do ano, o serviço nacional de saúde britânico, NHS, anunciou que internações associadas ao consumo de álcool na Grã-Bretanha atingiram nível recorde em 2010. Houve mais de um milhão de internações, em comparação com 945.500 em 2008-2009 e 510.800 em 2002-2003. Quase dois terços dos pacientes eram homens.
Saiba mais sobre o abuso de álcool
Segundo a entidade beneficente britânica Álcool Concern, há estimativas de que o número de internações possa alcançar 1,5 milhão por volta de 2015. Quando são considerados os perigos para o indivíduo e a sociedade como um todo, o álcool é mais prejudicial do que drogas como a heroína e o crack – concluiu um estudo publicado no ano passado na revista científica The Lancet.
O estudo, feito pelo Comitê Científico Independente sobre Drogas, órgão científico independente que estuda as drogas e seus efeitos, concluiu também que o álcool é três vezes mais prejudicial do que a cocaína e o tabaco porque é usado de forma muito mais ampla.

Consumo recomendado
A diretora de pesquisas do Institute of Alcohol Studies, Katherine Brown, disse que as orientações atuais sobre o consumo de álcool e a forma como essas diretrizes são comunicadas à população podem estar contribuindo para a desinformação do público.
"Precisamos ser cuidadosos quando sugerimos que existe um nível 'seguro' de ingestão. Na verdade, precisamos explicar que existem riscos associados ao consumo do álcool e que quanto menos você bebe, menor seu risco de desenvolver problemas de saúde".
Para a especialista, é preciso mudar a percepção de que "beber regularmente é uma prática normal e livre de riscos".
O médico Nick Sheron concorda. "Não existe um nível seguro. As pessoas apreciam um drinque, mas precisam aceitar que existem riscos e benefícios".

Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/saiba-como-o-alcool-afeta-o-corpo/n1597255857855.html
***************************************************************************
Se você tem problemas com drogas / álcool ou conhece alguém que precisa de ajuda, acesse: www.clinicauplife.com.br

sábado, 13 de abril de 2013

EXEMPLO FAMILIAR É CRUCIAL PARA DESENCADEAR DA DEPENDÊNCIA

O DNA do alcoolismo dos jovens

Mais do que genética, o exemplo familiar é crucial para desencadear a dependência em crianças e adolescentes

Getty Images
Exemplo dos pais é crucial para definir comportamento dos filhos com o álcool, dizem especialistas
Não são as chamadas “más companhias”, os mais velhos da escola ou os primos de segundo grau. A principal ponte entre o álcool e os adolescentes são os pais. Mais do que genes ruins ligados ao alcoolismo, o exemplo é a herança familiar mais importante para culminar em um consumo problemático de bebidas alcoólicas pelas crianças.
As pesquisas nacionais e internacionais já confirmaram o peso da influência da família neste processo. Três em cada dez adolescentes que admitiram consumir algum produto etílico apontaram a própria casa como local da experimentação, atestou pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que traçou o perfil de consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes no Brasil.
O índice de 31% encontrado nesta parte do estudo é mais do que o dobro do segundo lugar no ranking de responsáveis pela oferta de álcool: “os amigos” dos jovens pesquisados somaram 15%. Não são conclusões solitárias no meio científico. A última edição dos Cadernos de Saúde Pública, publicada no início do mês, traz dados inéditos de 11 anos de acompanhamento de todas as 4.452 crianças que nasceram em 1993 na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul.

No recorte sobre o uso de álcool, os pesquisadores ligados a três universidades detectaram que 17,5% daquela população já havia usado álcool, sendo 5% antes dos 9 anos. Renda familiar, escolaridade, repetência de ano, cor da pele, necessidade de trabalhar fora de casa não influenciaram estatisticamente neste uso precoce.
A prevalência foi maior em três situações. Em primeiro lugar, adolescentes de mães beberam durante a gravidez mostraram risco 60% de consumir álcool. Em segundo, filhos de pais consumidores de álcool (ambos) tiveram risco aumentado em 42%. E por último, crianças que naquela faixa etária já haviam experimentado cigarro pontuaram 2,7 vezes mais na escala de uso de álcool.
Conclusões como estas conduziram os especialistas a pesquisar como os pais deve apresentar o álcool aos seus filhos, sendo esta uma das estratégias, inclusive, para prevenir dependências futuras.

Manual para crianças
“Os educadores têm um bordão que cai como luva para a questão do álcool e outras drogas. Antes do seu filho escutar seus conselhos, ele enxerga o que você faz”, afirma o psiquiatra Sérgio de Paula Ramos, especialista em dependência química da Associação Brasileira de Psicanálise, da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre e da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas.

Não é apenas o uso nocivo dos adultos que pode ser decisivo para a criança, acreditam os especialistas. A embriaguez constante dos adultos, as doses exageradas antes de dirigir ou a agressividade potencializada pela bebida são consideradas um exemplo tão ruim como o hábito de beber uma taça de vinho ou um copo de uísque, por exemplo, após um dia de trabalho intenso, depois de uma briga ou em uma situação de frustração. A mensagem de que o álcool conforta e faz companhia pode ser igualmente perigosa.
Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudos para Álcool e Outras Drogas (Abead), acrescenta que mesmo em situações em que o álcool é consumido de maneira harmoniosa – em datas comemorativas ou reuniões familiares – é função dos pais apresentarem a bebida como um componente exclusivo do universo dos adultos. “De forma muito parecida como as questões do dirigir automóveis, pornografia ou sexo são tratadas”, compara o especialista.
Dartiu Xavier, especialista em dependência química pela Unifesp e autor do manual “Como falar de drogas com o seu filho” da Associação Paulista de Medicina – avalia que as informações sobre o que é, o que causa, que gosto tem o álcool devem ser passadas às crianças na medida em que as perguntas surgem, independentemente da idade. “Claro que é diferente falar com alguém de seis anos e com um jovem de 15, mas a disposição em esclarecer e interagir sempre deve ser presente”, afirma.

Cérebros em formação
Lidar com esta curiosidade infantil tem como um dos desafios a imaturidade do cérebro. Segundo o psiquiatra Sérgio de Paula Ramos, até os 23 anos de idade o cérebro ainda não está completamente “maduro”. “A primeira região que fica pronta é a do impulso, uma das explicações para os adolescentes serem tão impulsivos”, explica. A última, chamada de córtex frontal, é responsável pelo discernimento.”
Estas constatações da neurociência fazem com que Ramos e o presidente da Abead tenham convicção que o álcool só deve ser consumido ou experimentado após os 18 anos, idade definida pela lei brasileira como mínima para o consumo (em alguns estados norte-americanos só é permitido beber após os 21 anos). “Temos indícios fortes o suficiente para afirmar que quanto mais cedo o contato com o álcool, maior o risco da dependência se instalar, independentemente da influência genética”, diz Carlos Salgado.
Por conta disso, Salgado e Ramos são categóricos: quando os filhos pedem para experimentar um pouco da bebida alcoólica dos pais e resposta deve ser sempre não.
Já Dartiu Xavier acredita que a oferta de um golinho, no copo do adulto responsável, pode ser uma forma de “aplacar a curiosidade sem maiores danos”, desde que o comportamento desta criança ou adolescente com a bebida seja constantemente acompanhado. “Pedir um gole sempre que vê os adultos bebendo, apresentar sinais de embriaguez ou consumir álcool diariamente são sinais que não podem ser ignorados”, complementa.
O Centro de Informação sobre o Álcool (Cisa) em seu manual sobre “como falar de álcool com seus filhos” afirma: “alguns pais acham melhor oferecer um pouco de bebida alcoólica ao filho durante um jantar em família ou em ocasiões especiais (com o intuito de evitar que o filho beba escondido). Qualquer que seja a sua decisão, o abuso de álcool não deve ser tolerado em circunstância alguma. Isto se aplica ao seu filho e a você.”

Sérgio de Paula Ramos avalia que o momento de falar de bebidas com a criança pode ser uma excelente oportunidade de perguntar ao próximo o que ele pensa sobre seu próprio hábito de beber. “É a ferramenta mais eficiente para saber se há um comportamento nocivo. Pergunte à sua mulher ou marido, ou ao irmão o que ele acha sobre o seu padrão de consumo e questione se você já provocou constrangimentos ou não. Será um termômetro das mensagens que têm sido passadas ao seu filho.”

Fonte: http://delas.ig.com.br/comportamento/o+dna+do+alcoolismo+dos+jovens/n1237827564803.html
********************************************************************
Se você tem problemas com drogas / álcool ou conhece alguém que precisa dee ajuda, acesse: www.clinicauplife.com.br

sexta-feira, 12 de abril de 2013

BEBEDEIRA DE SÁBADO É MAIS PERIGOSA QUE BEBER TODO DIA

Bebedeira de sábado é mais perigosa do que beber todo dia


Pesquisa mostra que porres eventuais trazem mais risco cardíaco do que doses moderadas diárias


Foto: Getty Images
Pesquisa mostra que bebedeira eventual também traz risco cardíaco

A ressaca e o arrependimento não são as únicas consequências negativas trazidas pela bebedeira de final de semana. O coração corre riscos importantes, alerta uma pesquisa feita pela Escola de Medicina de Toulouse, na França.

O famoso “pé na jaca” mostrou-se até mais perigosos do que o hábito de beber diariamente pequenas doses. Para chegar aos resultados, os médicos avaliaram por dez anos mais de 11 mil homens de meia-idade (entre 45 e 60 anos), selecionados por relatarem beber aos menos uma vez por semana .

Leia mais: O DNA do alcoolismo dos jovens

Deste total, 2.405 eram moradores de Belfast, na Irlanda, que culturalmente bebem "pesado" – jargão na medicina que indica mais de cinco doses por ocasião em que a pessoa decide beber. Outros 7.373 pesquisados eram da França, em que o padrão de consumo alcoólico cultural também é alto, mas prevalece o padrão moderado, de uma dose por dia.

O grupo dos franceses até bebeu mais do que o de irlandeses – uma média geral de 32 gramas por dia contra 22,1 gramas diárias. Mas a segunda turma sofreu muito mais problemas cardíacos, mesmo descontando fatores como predisposição genética e obesidade.

Os dados foram divulgados na edição de novembro de 2010 do British Medical Journal, uma das publicações mais importantes do meio científico. Os “bebedores pesados” em Belfast somaram 9,4% dos entrevistados e entre os franceses esta parcela caiu para 0,5%. Nos irlandeses, a média de doenças cardíacas por 1.000 habitantes ficou em 5,63 pontos, duas vezes maior do que a taxa de 2,78 registrada entre os participantes da França.

Padrão brasileiro

Os novos achados servem de alerta para a população brasileira já que as pesquisas nacionais evidenciam que o padrão de consumo no Brasil é mais semelhante ao da Irlanda do que ao da França.

Foto: Getty Images Ampliar
Cérebro torna ainda mais difícil largar o cigarro e se alimentar corretamente, diz especialista
Fumar "só quando saio" também é arriscado

Em um levantamento nacional realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em todas as capitais, os pesquisadores concluíram que 40% da população masculina e 18% da feminina já beberam ao estilo “pesado”.

Quanto mais nova for a pessoa, mais recorrente é este estilo de consumo. Até mesmo os menores de 18 anos têm este hábito. Em uma pesquisa feita com 3 mil estudantes do ensino fundamental (1ª a 8ª série) de escolas particulares foi identificado que um em cada três (33%) já consumiu álcool de forma exagerada (mais de cinco latas de cerveja por exemplo) em uma mesma ocasião.

Colesterol de etanol

O beber "pesado" já foi apontado como gatilho de violência doméstica e no trânsito, responsável por acidentes que custam ao País R$ 390 por minuto, levando em conta apenas as internações dos acidentados que misturaram álcool de direção.

Agora os novos dados encontrados pela pesquisa francesa indicam que, além das causas externas, os porres também agravam problemas crônicos de saúde.

Os mecanismos que fazem grandes quantidades de álcool, ingeridas em uma única ocasião, serem tão letais para o músculo cardíaco ainda são pesquisados pelos médicos, mas já existem algumas evidências sobre essa atuação. A avaliação dos cientistas é de que quando o etanol é metabolizado, pode agredir as veias e atrapalhar a circulação, agindo de forma semelhante ao colesterol.

Na pesquisa feita pela Universidade francesa, por exemplo, os autores constataram que os “bebedores pesados” tinham a pressão mais alta nas segundas e terças-feiras, um indício de que a alta dosagem etílica também afeta a pressão, uma das origens dos infartos e acidentes vasculares cerebrais.

“A indústria do álcool aproveita cada oportunidade para imbuir no consumo uma imagem positiva, enfatizando seus efeitos benéficos. Mas as pessoas também precisam ser informadas sobre as consequências para a saúde de beber pesado”, escreveram os autores na conclusão do estudFinbto.

Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/bebedeira+de+sabado+e+mais+perigosa+do+que+beber+todo+dia/n1237994333992.html
************************************************************************
Se você tem problemas com drogas / álcool ou conhece alguém que precisa de ajuda, acesse: www.clinicauplife.com.br

quinta-feira, 11 de abril de 2013

USO NOCIVO DE ÁLCOOL AUMENTA 31,1% NO PAÍS

Uso nocivo de álcool aumenta 31,1% no País

Em seis anos, taxa de pessoas que bebem mais de quatro doses por ocasião pulou de 45% para 59%. Mulheres são responsáveis pela alta

Uma nova pesquisa divulgada nesta quarta-feira (10) pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que entre 2006 e 2012 aumentou em 31,1% o uso nocivo de álcool na população brasileira, comportamento que eleva o risco de doenças crônicas e também a vulnerabilidade à violência urbana.
Os dados fazem parte do segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) que investigou os hábitos etílicos no País, por meio de 4.607 entrevistados maiores de 14 anos, de todas as regiões do Brasil.
Os novos dados apontam que apesar do número de pessoas que bebem não ter aumentado no período – a taxa de bebedores permaneceu estável em 52% – o consumo entre os que admitem beber está mais alto, chamado pelos especialistas de “heavy drinking” (beber pesado).
“Beber pesado” ou “heavy drinking” é um padrão de consumo descrito quando os homens bebem mais de cinco doses e as mulheres mais de quatro copos de pinga, vodca, cerveja, uísque ou vinho quando decidem beber. Eles não entram na classificação de dependentes de álcool, mas isso não significa que esta parcela esteja isenta de complicações sociais e na saúde, afirmam os especialistas.

Impactos sociais do álcool

Além dos riscos de doença e de exposição à violência, a bebida também prejudica a vida social.
Pesquisas anteriores já alertaram que este padrão de consumo, ainda que realizado uma vez por semana e não diariamente, é suficiente para intoxicar o organismo e ser gatilho de tumores, transtornos de humor e falência do fígado entre outros problemas.
Leia:Bebedeira de sábado é mais perigosa do que beber todo dia
Por isso, os autores do Lenad disseram estar alarmados com os novos números e não comemoraram o fato do índice de dependentes de álcool ter permanecido em 17% nos últimos seis anos.

Mulheres
Elas foram as maiores responsáveis pela elevação deste padrão de consumo do álcool que, segundo os especialistas, torna os consumidores mais predispostos a doenças crônicas do fígado, câncer e depressão, por exemplo, além de estar associado ao aumento de violência doméstica, dos acidentes de trânsito, das brigas e dos suicídios.
Entre elas, o índice de ‘heavy drinking’ atestado nas bebedoras saiu de 36% em 2006 para 49% em 2012 – aumento porcentual de 36,5%. Já nos homens, a variação foi de 29,4%, passando de 51% para 66%.
Leia mais:Líderes em abuso de álcool são mulheres jovens e homens de meia-idade
Para a pesquisadora Ilana Pinsky as mulheres ficaram mais exposta às pressões do mercado de trabalho, ao estresse e também passaram a ser alvo da publicidade de bebidas, especialmente da cerveja, o que pode justificar o maior aumento do consumo feminino.

Violência
Clarice Sandi Madruga, uma das coordenadoras do Lenad, afirmou que a ligação do uso problemático de álcool e dos episódios violentos ficou evidente com a nova publicação.
“Só um exemplo é o envolvimento em agressões físicas. Na população geral, o número de pessoas que brigaram no último ano foi de 2,6%. Já entre os homens que bebem de forma perigosa sobe para 27%”, citou.
“Entre os 6% que relataram terem sido vítimas de violência doméstica, metade disse que o agressor estava embriagado no dia da agressão. Nosso estudo indica ainda que 5% dos brasileiros já tentaram suicídio, parcela que sobe para 41% entre os bebedores problemáticos”, pontuou a especialista.

Renda e políticas
Para o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, um dos autores do estudo e um dos maiores pesquisadores do uso de álcool da América Latina, são duas as explicações para os novos números.
“A primeira delas é que o aumento de renda da população pode explicar o agravamento do hábito de beber”, avalia.
“Atestamos que a quantidade de abstêmios não foi alterada (ficou em 48%), mas aqueles que já bebiam estão bebendo mais doses, investindo mais dinheiro em bebida, o que é muito perigoso para a saúde”, explica.
“A segunda questão é que a falta de políticas públicas para desestimular o uso de álcool ficou evidente. A única existente no País é focada em coibir o ato de beber e dirigir. Mas é preciso investir em modelos, conforme preconiza a Organização Mundial de Saúde, que elevem o preço das bebidas, diminuam os postos de venda e o horário de funcionamento dos estabelecimentos, sem esquecer a regulamentação da publicidade do álcool”, afirma Laranjeira.

Lei Seca
A boa notícia é que a chamada Lei Seca, em vigor no País desde 2008 e que ficou ainda mais rígida no final do ano passado, de fato surtiu efeito no comportamento da população brasileira. Em 2006, 27,5% dos pesquisados admitia beber e dirigir, índice que caiu para 21,6% em 2012, uma diminuição de 21%.
 
********************************************************************
Se você tem problemas com drogas ou conhece alguém que precisa de ajuda, acesse: www.clinicauplife.com.br

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A LUTA CONTRA AS DROGAS AINDA NÃO ESTÁ VENCIDA - DIZ FILHO DE CASAGRANDE

FILHO DE CASAGRANDE VÊ LIVRO, LANÇA PELO PAI, COMO TROFÉU, MAS LUTA CONTRA DROGAS AINDA EMPATADA.

Para Victor Hugo Casagrande, biografia recém lançada ajuda seu pai a lidar com vício, mas não considera sua batalha contra as drogas completamente vencida.

Victor Hugo Feliciano Casagrande, 27 anos, irmão mais velho de Ugo Leonardo, 23, e Symon, 20, sorriu muito na noite de terça-feira em uma livraria de São Paulo. Estava feliz pela conquista de seu pai, Walter, que ali recebia amigos e fãs. Para quem esteve perto da morte, tornar públicos, e em vida, os registros de uma história de superação é motivo de orgulho. E Victor sorria orgulhoso de seu pai, que lançava sua biografia intitulada "Casagrande e seus demônios".
"A gente vê muitas vezes essas biografias serem lançadas com a história de quem já morreu. Mas ele sobreviveu para contar e hoje está aqui recebendo o carinho de muita gente. A gente fica muito feliz por isso", disse Victor Hugo, jornalista da TV Record. "Se quando ele jogava, a vitória vinha com um troféu, esse livro tem esse simbolismo e é um troféu para representar a vida dele".
O semblante de satisfação do filho mais velho do ex-jogador só muda quando perguntado se a luta de seu pai contra o vício nas drogas já está vencida por completo. Sério, ele reconhece que não está. Ele, seus irmãos e os familiares de Casagrande ainda têm papel decisivo nesta luta diária contra recaídas.
Leia também: Casagrande lança biografia, mas ainda toma coragem para lê-la
"Ele mesmo fala que essa partida está empatada. Ele estava perdendo o jogo, mas empatou. Ele precisa de acompanhamento ainda, não sai de casa à noite, sempre está com sua psicóloga e sabe que vai precisar disso para conseguir se manter longe do vício", disse Victor Hugo, responsável por levar Casagrande para ser internado à força em setembro 2007, após o acidente de carro que quase o matou.
Para Victor, a internação do pai serviu para que ele percebesse que suas atitudes só estavam o afastando de quem ele mais gosta e quem mais gosta dele. "Ele conta no livro que o usuário de droga é um egoísta. Só se importa com o prazer dele ali enquanto usa e se esquece que essa atitude acompanha uma série de situações drásticas e traumáticas para quem o ama, no caso a família dele".
A internação de Casagrande durou pouco mais de um ano. Nesse período, os oito primeiros meses foram de total exclusão de seus amigos e familiares. Para Victor, a certeza de que a internação compulsória era necessária veio quando ele visitou o pai pela primeira vez após levá-lo para a clínica de reabilitação. "Ele estava muito melhor do que quando o deixei lá. Muito melhor. Consciente da sua situação de dependente. Essa era nossa maior luta".
Antes da internação, a família de Casagrande tentava convencê-lo a parar de se drogar espontaneamente, conta Victor. Nesse momento, ainda segundo o filho do ex-jogador, aparecia o lado positivo e negativo da proximidade familiar com o dependente. Um lado o orientava, o outro passava a mão em sua cabeça e acreditava no seu discurso "de que tinha o controle da situação".
O acidente de carro mudou tudo. Alterado após horas de consumo desenfreado de drogas e bebidas, ele tomou o volante, acelerou, capotou e quase colocou fim à sua vida. "Ali vimos que não dava mais. Se não fizéssemos algo o fim poderia ter sido trágico e não haveria nada para celebrar. Por isso esse livro é como se fosse troféu".

Fonte: http://esporte.ig.com.br/futebol/2013-04-10/filho-de-casagrande-ve-livro-como-trofeu-mas-luta-contra-drogas-ainda-empatada.html
**************************************
Se você tem problemas com drogas ou conhece alguém que precisa de ajuda, acesse www.clinicauplife.com.br

segunda-feira, 18 de março de 2013

CHORÃO - SUA FAMÍLIA E A CODEPENDÊNCIA

Só o desespero gerado pela perda inesperada de um ente querido explica a reação de familiares de Chorão de atribuir a culpa pela sua morte à ex-mulher, a estilista Graziela Gonçalves. Não há culpados nessa história, apenas vítimas da dependência química. Quantos Chorões e Grazielas não vivem hoje o mesmo drama?
Quantas mulheres que amam ou amaram um dependente químico já não enfrentaram a mesma acusação absurda? Como o grupo Narcóticos Anônimos bem coloca, não há nada a fazer se o dependente químico não se conscientizar de que está doente, de que não tem controle sobre a compulsão e de que precisa de ajuda para se livrar dela. O terceiro mandamento do NA é claro sobre isso: "Um adicto que não queira parar de usar não vai parar de usar. Pode ser analisado, aconselhado, pode se rezar por ele, pode ser ameaçado, surrado ou trancado, mas não irá parar até que queira parar".
Por outro lado, é importante enfatizar que ir além dos próprios limites para tentar "salvar" alguém não é nada saudável. Quem compartilha a vida com um dependente químico, alcoólatra ou vítima de outra compulsão pode acabar, sem perceber, desenvolvendo um transtorno emocional chamado de codependência. Segundo o psiquiatra Geraldo José Ballone, criador do site PsiqWeb, codependentes são familiares, normalmente pais, filhos ou cônjuges, que vivem obsessivamente em função da pessoa problemática."Tentam ajudá-la o tempo todo, esquecendo de cuida da própria vida."
Normalmente são pessoas que têm baixa autoestima, intenso sentimento de culpa e não conseguem se desvencilhar da pessoa dependente. Quantas pessoas não conhecemos com esse perfil? Suportam todo tipo de comportamento compulsivo do outro, como se assumissem uma espécie de "carma", como se esse fosse o seu destino. Existe uma expressão na psicologia e na psiquiatria que representa bem a maneira como o codependente adere à pessoa problemática: atadura emocional. Acontece quando uma pessoa se"atrela "emocionalmente a coisas negativas ou patológicas de alguém que a rodeia. Por causa dessas amarras emocionais, o codependente passa a ser quase um outro dependente (da pessoa problemática). Ele quer ser o "salvador" da outra pessoa. Mas o problema do codependente é muito mais dele próprio do que da pessoa problemática.
Todo amor que não produz paz, mas sim angústia ou culpa, pode estar contaminado de codependência. É um amor patológico, obsessivo e bastante destrutivo. Atualmente, há grupos de ajuda para familiares de dependentes (químicos e alcoólicos) que se propõem a tratar a codependência, orientando os familiares a adotarem comportamentos mais saudáveis. Os profissionais acreditam que o primeiro passo para a mudança é tomar consciência e aceitar o problema.
O tratamento pode envolver psicoterapia, terapia familiar, uso de medicamentos e grupos de autoajuda, como o Alanom e Codependentes Anônimos (nos mesmos moldes dos Alcoólicos Anônimos). A polêmica em torno da morte de Chorão é um bom momento para a sociedade refletir sobre essa questão, que geralmente fica ofuscada pelo enorme peso da dependência química. Devemos pensar nisso antes de sair por aí atribuindo culpas a pessoas que, muitas vezes, estão tão frágeis e doentes quanto o próprio dependente químico.
Cláudia Collucci é repórter especial da Folha, especializada na área da saúde. Mestre em história da ciência pela PUC-SP e pós graduanda em gestão de saúde pela FGV-SP, foi bolsista da University of Michigan (2010) e da Georgetown University (2011), onde pesquisou sobre conflitos de interesse e o impacto das novas tecnologias em saúde. É autora dos livros "Quero ser mãe" e "Por que a gravidez não vem?" e coautora de "Experimentos e Experimentações". Escreve às quartas, no site.

Fonte: Folha de São Paulo - Equilíbrio e Saúde

************************

Se você conhece alguém que tem problemas com drogas e precisa de ajuda visite o site: www.clinicauplife.com.br

domingo, 17 de março de 2013

CRACK CHEGOU AO BRASIL NO INÍCIO DA DÉCADA DE 1990

 O crack surgiu nos Estados Unidos na década de 1980 em bairros pobres de Nova Iorque, Los Angeles e Miami. O baixo preço da droga e a possibilidade de fabricação caseira atraíram consumidores que não podiam comprar cocaína refinada, mais cara e, por isso, de difícil acesso. Aos jovens atraídos pelo custo da droga juntaram-se u...suários de cocaína injetável, que viram no crack uma opção com efeitos igualmente intensos, porém sem risco de contaminação pelo vírus da Aids, que se tornou epidemia na época.

No Brasil, a droga chegou no início da década de 1990 e se disseminou inicialmente em São Paulo. De acordo com a Polícia Federal, o consumo do crack se alastrou no País por ser uma droga de custo mais baixo que o cloridrato de coca, a cocaína refinada (em pó). Para produzir o crack, os traficantes utilizam menos produtos químicos para fabricação, o que a torna mais barata.

O primeiro relato do uso do crack em São Paulo aconteceu em 1989. Dois anos depois, em 1991, houve a primeira apreensão da droga, em São Paulo. Em 2005, o consumo do crack atingia 0,1% da população brasileira, hoje, aponta o Ministério da Saúde, afeta 2% dos brasileiros.
Tudo cabe na lata, diz psicólogo

Na mitologia, a Medusa petrifica tudo que olha. Assim, são os usuários de crack: convertem em pedra tudo que possuem, como carro, casa, joias, terrenos e qualquer coisa que possam vender para manterem o vício. "Tudo acaba na lata", afirma o psicólogo, Tauama de Moraes. Ele é um dos membros da equipe multidisciplinar da Casa Despertar, entidade particular que cuida dos dependentes químicos em Fortaleza.

A comparação cabe direitinho na história de Luiz Carlos (nome fictício), 21 anos, filho de família de classe média. Até os 14 anos, era aluno destacado. Levado pelos "coleguinhas" a algumas festas, começou na maconha, passou pela cocaína e, agora, é dependente do crack. Abandonou escola, família e os verdadeiros amigos.

Com a morte dos pais, em acidente de carro, herdou uma boa casa, na Cidade dos Funcionários, e expulsou todos que ali moravam, duas tias e uma prima. Com a fissura pela droga, foi vendendo tudo, incluindo o encanamento, torneiras, portas, fios e vasos sanitários. Tudo se transformou em pedra. Hoje, depois de ser "resgatado" das ruas por parentes, foi internado na Casa Despertar e vive um ciclo: é internado, passa por desintoxicação, sai, volta ao vício.
 
 
****************
Se você conhece alguém que tem problemas com drogas e precisa de ajuda visite: www.clinicauplife.com.br