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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

ESPECIALISTAS SUGEREM MUDANÇAS NO COMBATE AO CRACK

Médicos pedem mais tempo de internação e ampliação da rede de apoio aos usuários.


Médicos ligados à luta contra o crack afirmam que os elevados índices de recaída e reinternação apontados por uma pesquisa gaúcha — quase 90% dos jovens voltam a fumar a pedra três meses após receber alta — reforçam a necessidade de aprimorar o método de tratamento no país.
Segundo especialistas, o sistema público ainda oferece poucos leitos, períodos curtos de internação e não consegue acompanhar o usuário após a alta para prevenir ou reverter eventuais recaídas. Um dos principais problemas, para o psiquiatra e ex-diretor do Hospital Psiquiátrico São Pedro Luiz Carlos Illafont Coronel são as "altas precoces" dos dependentes — geralmente, o período de internação autorizado pelo SUS é inferior a um mês.
— Na Inglaterra, se preveem internações de 30 a 90 dias para depressão grave, o que poderia servir como um parâmetro. Mas o ideal é que o prazo dependesse apenas da condição do paciente. O que se faz hoje é absurdo — afirma o psiquiatra.
Coronel afirma que, segundo levantamentos realizados no país, ao redor de um terço das mortes de usuários de crack são motivadas por altas antecipadas — por razões de saúde ou causas indiretas como envolvimento com a criminalidade ou traficantes. Outra dificuldade é a falta de leitos psiquiátricos — que já chegaram perto de 200 mil no país e hoje estão em 32 mil. Segundo um relatório elaborado por sete entidades médicas, o Estado perdeu 36,7% dos leitos de psiquiatria entre 1993 e 2013.
Em consequência, dependentes como o trabalhador autônomo Solon Santos da Silva Filho, 37 anos, recorrem a sucessivas internações e lidam com uma frequente falta de vagas. Ele está em seu quinto tratamento desde 2010: já passou por três internações em clínicas pelo SUS e está na segunda temporada em uma comunidade terapêutica, de Gravataí. Nas clínicas, conseguiu ficar no máximo um mês, o que considera "muito pouco". Também precisou superar obstáculos para garantir leito:
— Na minha segunda internação, tive de recorrer a uma ordem judicial para conseguir vaga. Mesmo assim, não adiantou e recaí. Agora, já estou há oito meses e 10 dias na comunidade terapêutica — conta.
O presidente da Associação de Psiquiatria do Estado e conselheiro da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Carlos Salgado, afirma que é necessário investir em ações como medicina comunitária, que permita acompanhar o dependente fora do hospital, aumentar a oferta de leitos psiquiátricos e aprimorar o treinamento dos profissionais de saúde para lidar melhor com a epidemia da droga.


Fonte: Zero Hora - por Marcelo Gonzatto

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A LUTA CONTRA AS DROGAS AINDA NÃO ESTÁ VENCIDA - DIZ FILHO DE CASAGRANDE

FILHO DE CASAGRANDE VÊ LIVRO, LANÇA PELO PAI, COMO TROFÉU, MAS LUTA CONTRA DROGAS AINDA EMPATADA.

Para Victor Hugo Casagrande, biografia recém lançada ajuda seu pai a lidar com vício, mas não considera sua batalha contra as drogas completamente vencida.

Victor Hugo Feliciano Casagrande, 27 anos, irmão mais velho de Ugo Leonardo, 23, e Symon, 20, sorriu muito na noite de terça-feira em uma livraria de São Paulo. Estava feliz pela conquista de seu pai, Walter, que ali recebia amigos e fãs. Para quem esteve perto da morte, tornar públicos, e em vida, os registros de uma história de superação é motivo de orgulho. E Victor sorria orgulhoso de seu pai, que lançava sua biografia intitulada "Casagrande e seus demônios".
"A gente vê muitas vezes essas biografias serem lançadas com a história de quem já morreu. Mas ele sobreviveu para contar e hoje está aqui recebendo o carinho de muita gente. A gente fica muito feliz por isso", disse Victor Hugo, jornalista da TV Record. "Se quando ele jogava, a vitória vinha com um troféu, esse livro tem esse simbolismo e é um troféu para representar a vida dele".
O semblante de satisfação do filho mais velho do ex-jogador só muda quando perguntado se a luta de seu pai contra o vício nas drogas já está vencida por completo. Sério, ele reconhece que não está. Ele, seus irmãos e os familiares de Casagrande ainda têm papel decisivo nesta luta diária contra recaídas.
Leia também: Casagrande lança biografia, mas ainda toma coragem para lê-la
"Ele mesmo fala que essa partida está empatada. Ele estava perdendo o jogo, mas empatou. Ele precisa de acompanhamento ainda, não sai de casa à noite, sempre está com sua psicóloga e sabe que vai precisar disso para conseguir se manter longe do vício", disse Victor Hugo, responsável por levar Casagrande para ser internado à força em setembro 2007, após o acidente de carro que quase o matou.
Para Victor, a internação do pai serviu para que ele percebesse que suas atitudes só estavam o afastando de quem ele mais gosta e quem mais gosta dele. "Ele conta no livro que o usuário de droga é um egoísta. Só se importa com o prazer dele ali enquanto usa e se esquece que essa atitude acompanha uma série de situações drásticas e traumáticas para quem o ama, no caso a família dele".
A internação de Casagrande durou pouco mais de um ano. Nesse período, os oito primeiros meses foram de total exclusão de seus amigos e familiares. Para Victor, a certeza de que a internação compulsória era necessária veio quando ele visitou o pai pela primeira vez após levá-lo para a clínica de reabilitação. "Ele estava muito melhor do que quando o deixei lá. Muito melhor. Consciente da sua situação de dependente. Essa era nossa maior luta".
Antes da internação, a família de Casagrande tentava convencê-lo a parar de se drogar espontaneamente, conta Victor. Nesse momento, ainda segundo o filho do ex-jogador, aparecia o lado positivo e negativo da proximidade familiar com o dependente. Um lado o orientava, o outro passava a mão em sua cabeça e acreditava no seu discurso "de que tinha o controle da situação".
O acidente de carro mudou tudo. Alterado após horas de consumo desenfreado de drogas e bebidas, ele tomou o volante, acelerou, capotou e quase colocou fim à sua vida. "Ali vimos que não dava mais. Se não fizéssemos algo o fim poderia ter sido trágico e não haveria nada para celebrar. Por isso esse livro é como se fosse troféu".

Fonte: http://esporte.ig.com.br/futebol/2013-04-10/filho-de-casagrande-ve-livro-como-trofeu-mas-luta-contra-drogas-ainda-empatada.html
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segunda-feira, 11 de março de 2013

EM 1 MÊS, 223 DEPENDENTES FORAM INTERNADOS EM SP

ARTUR RODRIGUES - Agência Estado

Em um mês, o Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), que faz parte do Programa de Enfrentamento ao Crack do governo paulista, registrou a internação de 223 dependentes da droga. Dessas, 17 foram involuntárias, mas contaram com a participação das famílias. Os pacientes estão sendo tratados em hospitais estaduais e em uma rede privada conveniada.


O governador Geraldo Alckmin avaliou os primeiros 30 dias como positivos."Tivemos 8.171 telefonemas, com orientação de famílias de todo Estado de São Paulo e acolhimento de 1.509", disse. Segundo ele, o serviço deve ser ampliado. "Estamos contratando mais leitos porque a demanda é grande", afirmou.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,em-um-mes-223-dependentes-foram-internados-em-sp,998808,0.htm

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domingo, 10 de março de 2013

EX-MULHER DE CHORÃO CULPA AS DROGAS PELA MORTE DO CANTOR


Familiares e amigos chegam para o enterro de Chorão no Cemitério Vertical Memorial, em Santos (SP), nesta quinta-feira (07) | FOTO: FUTURA PRESSA estilista Graziela Gonçalves, ex-mulher de Chorão, o vocalista da banda Charlie Brown Jr. encontrado morto na madrugada desta quarta-feira, atribuiu ao uso de drogas a morte do cantor.
"É uma praga", disse ela, na saída do sepultamento do roqueiro, enterrado no fim da tarde desta quinta-feira em Santos. Em conversa com a imprensa, Graziela disse que se afastou do músico como maneira de pressioná-lo a deixar as drogas -- ela retomaria o casamento se ele se recuperasse. "Eu tentei de tudo, mas perdi a guerra", desabafou. Nesta quinta, Graziela publicou um texto emocionado no site oficial do Charlie Brown Jr., dizendo que sempre vai amar Chorão.

Chorão foi encontrado sem vida pelo motorista e um segurança na cozinha de seu apartamento no bairro de Pinheiros, em São Paulo. No local, entre peças de roupa e um pó branco levado para análise toxicológica, a polícia encontrou medicamentos controlados e garrafas de cerveja. Para o delegado que investiga o caso, Itagiba Vieira, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de São Paulo, a morte do músico pode ter sido um acidente provocado pela mistura de álcool e remédios.

O corpo de Chorão foi enterrado no Memorial Metrópole Ecumênica, o cemitério vertical de Santos, cidade onde ele cresceu e vivia desde o fim da infância, em cerimônia fechada para familiares e amigos. Antes, o corpo do músico foi velado na Arena Santos, o maior ginásio esportivo da cidade, por onde passaram mais de 5 000 pessoas de todas as idades. O roqueiro era considerado um dos maiores divulgadores do município. Por onde passava para fazer shows, Chorão falava de Santos e do seu time do coração: o Santos Futebol Clube.

 FONTE: PrimeiraHora | VEJA NOTÍCIAS
 
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A LEGALIDADE DA INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA PARA DEPENDENTE QUÍMICO

Olá,
Gente, tenho recebido alguns e-mails pedindo informações e até mesmo questionando a questão da internação involuntária ou compulsória para dependentes químicos. A maioria das dúvidas, refere-se a questão da legalidade deste tipo de procedimento. Realizei várias pesquisas para poder trazer uma informação segura, que possa ajudar a família no processo de tomada de decisão. Nas minhas buscas, encontrei o excelente texto, que a seguir, reproduzo na íntegra.

O tema tem sido debatido por vários segmentos da sociedade, os ativistas de direitos humanos sustentam que a internação compulsória fere cláusula pétrea, o direito à liberdade do cidadão, consagrado no artigo 5º, da Constituição Federal.
Por sua vez, os médicos sustentam que internar uma pessoa contra a sua vontade caracterizaria crime, denominado como cárcere privado.
A meu ver, as duas correntes acima estão equivocadas, o princípio constitucional que deve ser protegido pelo Estado é o direito à vida, a mais importante das cláusulas pétreas, o maior bem que um ser humano possui. No caso específico dos dependentes químicos, em razão da dependência às drogas, em sua maioria os usuários perdem o discernimento, não mais conseguem decidir o rumo de sua vida. É de conhecimento público que o uso contínuo de drogas causa a morte do usuário, assim, acredito que caracterizada esta situação é dever do Estado interferir na vida daquele cidadão e determinar sua internação para tratamento, o poder público tem o dever de salvar a vida daquele cidadão e devolver-lhe a dignidade, sua cidadania.
Algumas pessoas têm defendido a tese da criação de uma legislação que autorize o poder público efetuar a internação compulsória de dependentes químicos para tratamento.
Totalmente desnecessário, o ordenamento jurídico brasileiro possui o Decreto-Lei 891, de 25 de novembro de 1938, em plena vigência, que regulamenta a fiscalização de entorpecentes, legislação que reconhece que o usuário de drogas é doente, que é proibido tratá-lo em domicílio e cria e regulamenta a figura da internação obrigatória de dependentes químicos, quando provada a necessidade de tratamento adequado ao enfermo ou quando for conveniente à ordem pública.
Para liquidar a questão, transcrevemos os artigos 27, 28 e 29, da referida legislação, in verbis: “Artigo 27. A toxicomania ou a intoxicação habitual, por substâncias entorpecentes, é considerada doença de notificação compulsória, em caráter reservado, à autoridade sanitária local.”
“Art. 28. Não é permitido o tratamento de toxicômanos em domicílio.”
“Art. 29. Os toxicômanos ou os intoxicados habituais, por entorpecentes, por inebriantes em geral ou bebidas alcoólicas, são passíveis de internação obrigatória ou facultativa por tempo determinado ou não.
§1º. A internação obrigatória se dará, nos casos de toxicomania por entorpecentes ou nos outros casos, quando provada à necessidade de tratamento adequado ao enfermo, ou for conveniente à ordem pública. Essa internação se verificará mediante representação da autoridade policial ou a requerimento do Ministério Público, só se tornando efetiva após decisão judicial.”
Quando se tratar de usuário menor de idade, a internação deverá ser requerida judicialmente pelo Ministério Público, como medida protetiva à criança ou adolescente, sempre utilizando como base legal o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90).
Todavia, infelizmente, no caso da Cidade de São Paulo, não há vagas suficientes nos estabelecimentos públicos adequados ao tratamento de dependentes químicos, nas redes do serviço de saúde pública estadual e municipal.
Os órgãos públicos da área de saúde têm obrigação legal de incrementar programas públicos de atendimento aos usuários e dependentes de drogas, todavia, é incontestável a negligência do poder público nesta obrigação. O Estado deveria investir de forma direta na criação de clínicas públicas para tratamento de dependentes químicos e de forma indireta na destinação de recursos às entidades da sociedade civil, sem fim lucrativo, que atuem neste seguimento.
Por fim, entendo que a internação compulsória dos dependentes químicos é totalmente legal, não fere direitos fundamentais do usuário, na verdade busca preservar e resgatar a dignidade destes cidadãos desprezados pela sociedade e esquecidos pelo poder público.

Fonte: http://www.conjur.com.br/2011-ago-05/internacao-compulsoria-dependentes-quimicos-constitucional  Escrito Por Arles Gonçalves Junior Advogado, Presidente da Comissão de Segurança Pública da OABSP e Consultor Jurídico do Programa Questão de Justiça. Revista Consultor Jurídico, 5 de agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

POR DIA, 21 JOVENS SÃO INTERNADOS POR USO DE ÁLCOOL E DROGA

A porta de entrada para a dependência química no Brasil acontece aos 13 anos. O início do consumo exagerado de entorpecentes acarreta outra estatística precoce à saúde do adolescente brasileiro. Segunda dados nacionais, entre janeiro e maio deste ano, todos os dias, 21 pessoas com menos de 19 anos foram internadas por transtornos mentais acarretados pelo abuso de álcool e drogas.
O levantamento, feito pelo iG Saúde no banco virtual de dados do Ministério da Saúde, mostra que este tipo de internação é crescente no País. Em dois anos, foi registrado um aumento de 29,5% nestas hospitalizações, passando de 2.426 casos nos primeiros cinco meses de 2009 para 3.142 registros em 2011. Os meninos são maioria com 75,6%, e a faixa etária mais vulnerável é a entre 15 e 19 anos.
Na tentativa de mudar o curso da dependência precoce brasileira, a prefeitura do Rio de Janeiro e o governo de São Paulo lançaram dois planos de ação que mudam a abordagem de ação governamental.
No Estado paulista, o governo encaminhou nesta segunda-feira (1/8), um projeto de lei à Assembleia Legislativa – que ainda precisa ser aprovado pelos deputados para entrar em vigor – para aumentar o rigor de fiscalização em bares, restaurantes e outros tipos de comércios que vendem bebida alcoólica a menores de 18 anos. Pelo texto sugerido, o estabelecimento infrator pode receber multas de até R$ 87,2 mil, além de interdição por 30 dias e fechamento definitivo das portas.
Já no município carioca, a Secretaria Municipal de Assistência Social, desde maio, tem aval para internar adolescentes e crianças em situação de rua que são usuários crônicos de drogas, mesmo contra a vontade deles. Desde que o programa foi instalado, 94 meninos foram internados no regime de internação chamado de compulsório.


O consumo de álcool é cem vezes maior do que o crack
Para Elisaldo Carilini, coordenador do Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Unifesp, a escolha de São Paulo para brigar contra o consumo de álcool é acertada.
“Não há dúvidas de que as bebidas alcoólicas são o principal problema de saúde pública na dependência química juvenil”, afirma.
Para justificar a afirmação veemente, Carlini recorre aos mais recentes dados – ainda não publicados – da pesquisa nacional feita pelo Cebrid, que colheu informações de 108 mil estudantes de escolas públicas e privadas de todo País: enquanto 60,5% dos pesquisados afirmaram já ter usado álcool na vida, 0,6% disseram ter experimentado crack.
“É uma diferença comparativa de quase cem vezes entre crack e álcool. Para começar a reverter estes números absurdos é preciso que o comerciante e a pessoa que frequenta o bar participe deste processo”, diz o pesquisador.
“O comerciante não vendendo a pinga ou cerveja ao menor de idade e, caso o faça, tendo a noção e a sensação de que será punido. E o frequentador do bar, contribui denunciando o estabelecimento caso testemunhe a venda inadequada.”


Cérebros auxiliares na tomada de decisão
O psiquiatra da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas (Abead), Sérgio de Paula Ramos, concorda que a punição mais severa aos comerciantes de São Paulo pode contribuir para reverter o curso da dependência instalada antes dos 18 anos.
“A neurociência já demonstrou que o cérebro demora 21 anos para amadurecer plenamente. A última parte a ficar pronta é a que controla a impulsividade”, diz Ramos.
“O beber precoce detona o percurso de amadurecimento cerebral. Se a pessoa tem o primeiro contato com o álcool aos 21 anos, o risco de tornar-se alcoolista é de 9%. Se o início é aos 13 de idade – a média de início ao acesso dos brasileiros ao álcool, conforme atestou uma pesquisa do Ibope feita no ano passado – a chance de virar um dependente é ampliada para 50%”, diz.
Para o pesquisador da Abead a internação compulsória dos que desenvolvem esta dependência – aos moldes do programa já em curso no Rio de Janeiro – é outra medida consistente.
“É preciso que o jovem conte com cérebros auxiliares já maduros, como o dos seus pais, professores, profissionais de saúde", acredita Ramos.
"O recurso (da internação involuntária) é importante, pois facilita a ação do médico com este dependente. Hoje, para internar a pessoa dependente crônica é preciso aprovação do juiz. Tenho 37 anos de experiência com dependentes químicos e, até hoje, nunca recebi uma negativa judicial. Autorizar este trabalho do médico é facilitar o caminho.”


Trabalho em rede
Seja com o consentimento ou não do dependente, os médicos e estudiosos da dependência química não discordam que a internação é a última alternativa no tratamento médico, que é preciso existir uma rede de ambulatórios que dê conta de atender os casos menos graves e que uma fiscalização efetiva do exercícios dos profissionais de saúde coibiria abusos de hospitalizações desnecessárias.
Para o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, é preciso mais do que apenas ampliar o número de serviços voltados ao usuário de álcool e drogas, seja ele de qualquer idade. Em entrevista ao iG, ele diz que atualmente “o tratamento da dependência química é uma dúvida no mundo todo. Todos os protocolos de tratamento, sejam farmacológicos ou não têm uma taxa relativa baixa de sucesso.”
“Acabamos de conversar sobre as novas diretrizes da política de enfrentamento de álcool e drogas. Temos de reorganizar os serviços de saúde para enfrentar essa situação. Precisamos ter uma rede que tenha serviços diferentes para situações diferentes. Qualquer proposta de organização do serviço que proponha um enfrentamento único está fadada ao fracasso.”
Por Fernanda Aranda, com colaboração de Leoleli Camargo e Priscilla Borges em http://saude.ig.com.br/minhasaude/por+dia+21+jovens+sao+internados+por+uso+de+alcool+e+droga/n1597111606737.html

Opinião do Blog Drogas: Preciso de Ajuda!!!
Acredito que toda tentativa de provomover o tratamento da dependência, seja ela de álcool ou droga, é válida. Contudo, na matéria apresentada sobre o enfrentamento do problema não foi abordado o tema principal: FATORES DE PROTEÇÃO. Fala-se em "repressão" no ponto de venda, mas não se discute soluções sobre a falta de alternativas para o jovem. As políticas públicas de enfrentamento da dependência química, somente serão viáveis, ao longo prazo, se as ações preventivas para as novas gerações forem efetivas. É necessário um investimento massiço em educação de qualidade, lazer, esportes e cultura, pois somente desta forma nossas crianças, adolescentes e jovens terão uma alternativa aos bares e pontos de venda de drogas.