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terça-feira, 26 de julho de 2011

CONCEITO DE DEPENDÊNCIA QUÍMICA

Apesar de existir uma enorme variedade de explicações teóricas para as causas da dependência de álcool, nicotina e outras drogas, há um conceito unânime: dependência é uma relação alterada entre um indivíduo e seu modo de consumir uma substância. Essa relação alterada é capaz de trazer problemas para o seu usuário. Muitos indivíduos, porém, não apresentam problemas relacionados ao seu consumo. Outros apresentam problemas, mas não podem ser considerados dependentes. Por último, mesmo entre os dependentes, há diferentes níveis de gravidade.

Não é preciso ser dependente para ter problemas Portanto, buscar um conceito sobre dependência a substâncias psicoativas não se completa pela constatação de sua presença ou ausência. Mais do que saber se ela está lá, é preciso identificar e determinar seu grau de desenvolvimento. Além disso, é preciso entender como os sintomas observados são moldados pela personalidade dos indivíduos e pelas influências sócio-culturais.

O conceito atual dos transtornos relacionados ao uso de álcool e outras drogas rejeitou a idéia da existência apenas do dependente e do não-dependente. Existem, ao invés disso, padrões individuais de consumo que variam de intensidade e gravidade .

Não existe um consumo absolutamente isento de riscos. Quando este é comedido e cercado de precauções preventivas, é denominado consumo de baixo risco. Quando o indivíduo apresenta problemas sociais (brigas, faltas no emprego), físicos (acidentes) e psicológicos (heteroagressividade) relacionados estritamente àquele episódio de consumo, diz-se que tais indivíduos fazem uso nocivo da substância. Por fim, quando o consumo se mostra compulsivo e destinado à evitação de sintomas de abstinência e cuja intensidade é capaz de ocasionar problemas sociais, físicos e ou psicológicos, fala-se em dependência.

Critérios diagnósticos de uso nocivoSegundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uso nocivo é "um padrão de uso de substâncias psicoativas que está causando dano à saúde", podendo ser esse de natureza física ou mental. A intoxicação aguda ou 'ressaca', dependendo de sua intensidade, por si só, não é considerada dano à saúde. A presença da síndrome de abstinência ou de transtornos mentais relacionados ao consumo (p.e. demência alcoólica) exclui esse diagnóstico.

Critérios diagnósticos da dependênciaA dependência possui sinais e sintomas específicos. Portanto não se fala em intuição, tampouco em achismos quando se identifica alguém com problemas de dependência. De modo geral, há alguma perda do controle sobre o uso, associado com sintomas de abstinência e tolerância. Para evitar o surgimento de tais sintomas, os usuários passam a consumir a substância constantemente e a privilegiar o consumo a outras coisas que antes valorizava.

Site Álcool e Drogas sem Distorção (www.einstein.br/alcooledrogas) / NEAD - Núcleo Einstein de Álcool e Drogas do Hospital Israelita Albert Einstein

quarta-feira, 18 de maio de 2011

OXI - A NOVA AMEAÇA?!

Dando continuidade a série que fala sobre drogas, hoje vou falar um pouco sobre a nova ameaça: o Oxi, abreviação de oxidado. Embora a apreensão e veicução de notícias sobre o Oxi seja bastante recente no Estado de São Paulo, esta droga já é velha conhecida no Acre e em Brasília, sendo seu primeiro registro em meado dos anos 80. Infelizmente, devido a grande semelhança com o Crack e custo absurdamente menor, o Oxi tem se alastrado silenciosamente e, em minha opinião, as consequências de seu uso logo serão visíveis.
O QUE É OXI
O Oxi é obtido a partir da mistura da pasta-base, cal virgem e querosene ou gasolina (podendo ainda apresentar misturas que levam diesel e até solução de bateria). Diferente do crack que exige uma cozinha e um processo laboratorial mais complexo para seu refino, o Oxi pode ser fabricado em qualquer “fundo de quintal”, bastando mistura a pasta de coca com um derivado de petróleo em uma panela. Como a mistura para o refino do Oxi não leva em sua composição substâncias controladas, a produção desta droga é mais fácil e barata, o que a torna potencialmente mais perigosa que o Crack, pois pode atingir uma parcela ainda maior da população. O custo de cada pedra de oxi é de R$ 2,oo, enquanto o crack é negociado entre R$ 7,00 e R$ 10,00.
No Acre, estado em que foi primeiramente identificado, o Oxi é conhecido como Veneno. Segundo informações recentes, divulgadas no Jornal da Globo (matéria que foi ao ar em 16/05/11) o uso do Oxi leva a morte mais de 1/3 dos usuários em menos de 1 ano. O princípio ativo do Oxi é o mesmo do Crack e da Cocaína.
A semelhança entre o crack é o oxi é muito grande. Ambas apresentando coloração amarelada, o que dificulta a identificação da droga. A única maneira de diferenciar o Crack e o Oxi é o resíduo produzido: enquanto o Crack produz um fumaça branca e cinzas após queimada, o Oxi produz fumaça escura e uma resíduo oleoso após queimada.

FORMA DE USO
O Oxi, assim como o crack, geralmente é fumado com cachimbos improvisados, feitos de latas de alumínio e tubos de PVC (policloreto de vinila), que permitem a aspiração de grande quantidade de fumaça.

TEMPO DE AÇÃO
Não existem dados exatos disponíveis, no entanto sua ação parece bastante similar ao crack, sendo que sua chegada ao sistema nervoso central é quase imediata: 20 segundos, em média (segundo relatos de usuários). A ação do Oxi no cérebro dura cerca de cinco minutos, período em que é potencializada a liberação de neurotransmissores como dopamina, serotonina e noradrenalina. Segundo relatos dos usuários, seu poder viciante é ainda maior que o Crack. A pedra de oxi pode conter até 80% de concentração de cocaína, enquanto o crack tem em média 40%.

EFEITOS 
O efeito imediato inclui sintomas como euforia, agitação, sensação de prazer, irritabilidade, alterações da percepção e do pensamento, assim como alterações cardiovasculares e motoras, como taquicardia e tremores. Dor de cabeça, vômitos, diarreia e paranoia são efeitos adversos do uso.