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sexta-feira, 19 de abril de 2013

ASSUMIR QUE O FILHO É DEPENDENTE QUÍMICO É A PIOR COISA PARA UMA MÃE

“Assumir que o filho é dependente químico é a pior coisa para uma mãe”

Luisimar Alvares há 13 anos convive com um filho viciado, hoje em recuperação. Ela conta como a mudança de postura resultou em uma nova forma de encarar as drogas

Professora de adolescentes em Campinas (interior de SP), Luisimar Alavres encarava as drogas “como um problema dos outros” até encontrar maconha nas coisas do filho. Achou que era uma fase e que iria passar.
Foram 13 anos convivendo com os mais variados tipos de entorpecentes – crack, cocaína, ecstasy – e com a sensação de que só ela salvaria o filho.
“Dei espaço para o meu filho ser protagonista da própria recuperação”, diz ela, sobre a principal lição que aprendeu nos grupos terapêuticos que acolhem parentes dos dependentes químicos enquadrados no conceito de codependentes.
Hoje ela é voluntária do Amor Exigente (o principal grupo brasileiro voltado às famílias), continua dando aulas e vive o “só por hoje”, ensinamento vital para quem usa drogas e para quem ama e convive com um usuário.
Luisimar define um dia perfeito, como aquele que tem 24 horas “sem conflitos” ou “com conflitos solucionados” em 24 horas e agradece por ter se livrado do sabor “amargura” que tinha na boca quando contava a própria história. “Tenho orgulho da pessoa melhor que me tornei”.

Como você percebeu que a droga fazia parte da sua família?
Luisimar: Sou professora de português e as drogas sempre fizeram parte da temática das minhas aulas. Por estudar o tema, parecia que eu tinha uma imunidade a este problema. Foi então que meu filho, quando estava no 3º ano do ensino médio, começou a mudar de comportamento, ficou diferente, repetiu de ano. Eu só tinha visto droga em fotografias e achei um ‘matinho’ estranho nas coisas dele. Não reconheci na hora. Levei a uma delegacia próxima de casa e disseram que era maconha. No primeiro momento, não achei que era grave e aí os problemas começaram. Tinha certeza de que era uma fase, que iria passar. Ele tinha 16 anos. Hoje tem 29. Treze anos depois, ainda não passou. Maconha, cocaína, crack, ecstasy, tudo que você pode imaginar, passou na vida do meu filho e também fez parte da minha vida.

Quando você percebeu que o seu comportamento com ele precisava mudar?
Luisimar: Desde o início, eu frequentei grupos de pais e familiares de dependentes químicos, nas reuniões do Amor Exigente. Mas não me reconhecia naquele ciclo da droga, não sentia que participava ativamente da dependência do meu filho. Caí no jogo da culpa e, de forma inconsciente, o meu comportamento alimentava o comportamento do meu filho e vice-versa. Você passa a ser feliz só quando ele é feliz. Eu passei a querer tomar atitudes por ele. Fiquei com a sensação de que eu, só eu, era capaz de salvá-lo. Mas quando você olha a dependência de dentro do olho do furacão, um ponto crucial passa despercebido: o dependente químico, sem perceber, busca o conflito para justificar o uso de drogas. Então, por mais que eu me esforçasse para fazer da minha casa um ambiente de paz, do nada, uma briga explosiva acontecia.
Eu achava que a solução e o controle estavam nas minhas mãos. A sensação era a mesma de apertar uma gelatina. E essas tentativas frustradas de manter uma paz falsa, frágil, só me davam culpa. Passei a atender a todas as vontades do meu filho. Quando ele se trancava no quarto, achava que ele estava seguro e quase não respirava na sala. Levantava 200 vezes, encostava o ouvido na porta para sentir que estava tudo bem. Então, vinha o vendaval violento. Ao meu filho, a mensagem era de que ele tinha a justificativa que queria para sair de casa e passar dias e dias sem aparecer, só usando drogas. A mim, restavam a culpa e a falsa ideia de que, em uma próxima vez, eu faria diferente e a briga não aconteceria.

A sensação de culpa também atrapalhava a consciência de que você precisava mudar?
Luisimar: Assumir que o filho é dependente químico é pior coisa para uma mãe. É uma doença considerada um problema de caráter. Se ele tem rinite, todo mundo protege. Quando é usuário de droga, não há a compreensão de que se trata de uma doença. Trata-se como uma falha pessoal, da criação. A negação é o primeiro passo e eu fiz coisas horríveis, como ir até a casa de um amigo dele e aos berros dizer para a outra mãe que ela era responsável por tudo de ruim que tinha acontecido com o meu filho. Foi quando esgotei as minhas possibilidades que entendi que não dependia de mim. Ao contrário. Se ele não tivesse o papel principal no processo de recuperação dele, não iríamos sair do lugar. A codependencia, um termo que eu só aprendi depois, exacerba o amor e você fica cega. Você tem recaídas igual ao usuário de droga. É preciso entender quais são os limites e esse entendimento é doloroso, mas também libertador.

Isso significa que você precisou se afastar do seu filho?
Luisimar: Quando os problemas com as drogas agravaram, eu tinha acabado de separar do meu marido. Meu filho foi para a internação compulsória (contra a vontade do usuário) e é uma sensação horrível. Você se sente sozinha, culpada. Ele saiu da primeira internação e voltou para as drogas. Desde então, foram repetidas idas e vindas. Não digo que me afastei, mas precisei mudar de postura. Aprendi a dizer e a entender que ou ele mudava de comportamento ou ele mudava de casa. Isso porque, em meio às chantagens, ele me dizia que se eu o deixasse fumar maconha dentro de casa, ele não iria mais embora. Não cedi. E defini o que queria para dentro da minha casa. Ele foi internado quatro vezes e nenhuma deu certo porque, em todas, ele havia decidido pelo tratamento por minha causa e não por causa prória. Quando eu e o pai dele deixamos espaço para ele ser protagonista da própria história, a coisa mudou de figura.

Seu filho está limpo (sem usar drogas) há 10 meses. Honestamente, você voltou a confiar nele?
Luisimar: Eu confio na minha postura e sempre quando entendo ser cabível dou um voto de confiança a ele. Sei que ele esta se segurando, está apaixonado, resolveu morar com uma moça e tenho orgulho da vida com limites que ele leva agora. Mas também não sou ingênua e sei da dificuldade que ele tem de se organizar a longo prazo. Não é falta de confiança, mas não me frustro mais quando ele planeja, por exemplo, pagar uma conta em 10 prestações e lá na quarta ou quinta acaba recorrendo à minha ajuda porque se atrapalhou. Um dia de cada vez. Para ele e para mim.

O seu amor por ele mudou?
Luisimar: Fragilidade amorosa eu não tenho mais, mas meu filho é o maior amor que eu sinto no mundo. A passionalidade eu perdi e ele compreende isso. Ele me reconhece como alguém segura, autônoma, sabe que pode contar comigo, sabe do meu amor e sabe que por ele eu me obriguei a ser uma pessoa melhor. O fato dele ter me tirado o chão fez com que eu buscasse um solo mais forte, menos arenoso. Meu filho sabe que para conviver com isso ele não pode me ferir. Eu não sinto mais um sabor amargo na minha boca ao contar essa história.

Você chegou a adoecer fisicamente nesse período?
Luisimar: Dizer que não é mentira. Eu somatizo problemas na boca e na garganta, ranjo os dentes. É uma transferência inevitável. Você assiste o outro doente e quer adoecer também. Eu me sentia mal por estar bem. Viajar foi algo que eu nunca deixei de fazer, mesmo nos momentos mais turbulentos. Durante os trajetos, tinha crises de dores incríveis que agora são controladas. O “decolar” era complicadíssimo, ainda é. Mas é o meu prazer, momento em que eu relembro de cuidar de mim. Uma vida boa, que valoriza as pequenas coisas, é o maior presente que só eu posso me dar.

Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-04-17/assumir-que-o-filho-e-dependente-quimico-e-a-pior-coisa-para-uma-mae.html
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quinta-feira, 18 de abril de 2013

ME SENTIA TAO SOZINHA E ABANDONADA QUE ACABEI ADOECENDO TAMBÉM

O pai de Isabella Moraes usou crack por 20 anos e ela desenvolveu anorexia e depressão. ‘Diziam que eu tinha de superar por ser rica e bonita’


Isabella Moraes é filha de um dependente químico em recuperação e quer mostrar que as drogas afetam inclusive as famílias ricas

Isabella, 37 anos, é herdeira de uma família de ricos empresários do Rio de Janeiro. Filha mais velha de João Flávio de Moraes, que já chegou a ocupar o posto de dirigente do poderoso grupo Supergasbras, ela diz ter pagado com a própria saúde o preço da história familiar ter o crack como um dos “longos capítulos”.

João Flávio usou a pedra por 20 anos e perdeu amigos e prestígio durante as compulsivas pitadas. Isabella assistiu a tudo.
“Me sentia tão sozinha e abandonada que acabei adoecendo também”, diz Isabella Moraes, que desenvolveu o transtorno alimentar chamado anorexia e a depressão, como uma espécie de “pedido de socorro” para ser vista pelos pais.
Sobrevivente da chamada codependência, ela diz estar em constante recuperação neste período de quase 8 anos em que o pai não tem mais recaídas nas drogas. Reuniu a experiência no livro “Agora é viver”, lançado no próximo dia 18 pela editora Rocco.
Nem todos da família gostaram da exposição da trajetória familiar (o pai é um dos apoiadores), mas Isabella avalia que trazer o assunto é uma forma de alertar que dinheiro não é vacina contra a dependência química.
 
“Também quero abordar o papel da família, a importância do cuidado dos parentes e não só dos dependentes químicos. Cansei de ouvir que eu tinha de superar (a depressão e a anorexia) por ser rica e bonita”, conta ela.

Cursando jornalismo e dividindo a experiência no blog “Somos todos iguais”, ela afirma que o sonho é se tornar uma porta-voz da causa. Leia a entrevista.

Você também adoeceu por causa do crack usada pelo seu pai sem nunca ter usado nenhum tipo de droga?
Isabella Moraes: Claro. Por causa da desestruturação familiar que eu vivi me sentia tão sozinha e abandonada que acabei adoecendo também, ainda muito pequena. Os filhos pagam o preço pelo uso de droga pelo pai ou pela mãe. Não há como uma criança crescer saudável em um lar onde não existem limites e o amor é dado de maneiras estranhas. Altos e baixos, cenas de uso de drogas, medos, assistir ao pai alterado... Isso não é ambiente para se viver, não é mesmo? Hoje, vejo que era o meu inconsciente querendo dizer aos meus pais: olhem, estou ficando doente, cuidem de mim...Hoje estou curada da anorexia e da depressão e após muita luta tenho uma vida feliz e saudável ao lado do meu filho.

As pessoas ainda ficam surpresas quando se deparam com histórias de famílias que, mesmo abastadas financeiramente, acabam envolvidas com drogas. Por que você acha que isso acontece?
Isabella Moraes: Porque as pessoas em geral não tem a menor noção de que entrar para o mundo das drogas não é uma questão de escolha e, sim, uma fraqueza. Uma fraqueza forte. A pessoa experimenta droga como se fosse tomar um remédio para aliviar a dor. Só que se ela for dependente química, pode acabar se viciando e aí o caminho muitas vezes é sem volta. Não é porque uma pessoa é rica ou bonita que ela é feliz. Se ela procurou as drogas, tenha certeza, ela apenas buscou preencher um vazio. Dizer ou acreditar que quem usa droga é um sem-vergonha é um preconceito muito triste. Eu sei que existe de tudo, mas hoje sei que muitas vezes o doente cai no ciclo do vício sem perceber o mal que provoca. Falta muito conhecimento sobre este tema no Brasil.

Você já sentiu raiva do dinheiro que tinha?
Isabella Moraes: Sim, várias vezes. Hoje vejo o dinheiro como uma necessidade para viver bem e educar meu filho. Claro que dinheiro é bom. Mas não é a receita para a felicidade, posso dizer isso com toda a certeza. A receita para a felicidade é encontrar o seu eu e aceitar-se como é. Assim se sentirá livre para viver como quer, sem se preocupar com o julgamento dos outros. É dessa forma que vivo hoje.

Recentemente, tivemos o caso do cantor Chorão, que morreu de overdose. A mulher dele foi muito cobrada por ter se distanciado quando o uso da droga pelo cantor ficou mais intenso. Você também sentiu, de alguma forma, a cobrança por ser filha de um dependente químico?
Isabella Moraes: Meus irmãos, minha mãe e eu nunca nos distanciamos de meu pai. Até hoje cuidamos dele e estamos sempre com ele. Talvez se tivéssemos nos distanciado ele poderia ter acordado antes e, quem sabe, teria melhorado. Não há regras. Ele é uma pessoa maravilhosa que foi vítima do crack e da falta de limites. Tive cobranças dentro de casa sim. Diziam: ‘Isabella você é a filha mais velha, você tem que cuidar, salvar o seu pai’. Escuto isso desde pequena. Era um peso para mim, pois eu realmente acreditei que meu papel era cuidar de todos. Chegou uma hora em que, por amor a mim e por amor ao meu filho, saí de casa e fui cuidar de nós. Ainda estou correndo atrás do tempo que perdi não cuidando de mim. Estou recolhendo os meus caquinhos.

Você perdoou seu pai? Foi difícil este processo? Tem algo que ainda machuca?
Isabella Moraes: Sim, perdoei. Consegui perdoar, pois hoje tenho a clareza de que o estrago que ele fez não foi proposital. Ele é um homem bom, que ama seus filhos. Ele foi fraco, caiu em uma cilada, seus pais não deram limites. O processo de perdão foi difícil e ainda é. Um dia de cada vez. Mas eu amo tanto ele que isso se torna mais fácil. Tem muitas coisas que ainda me machucam. Mas hoje tenho a maturidade para lidar com a dor e os traumas que ainda carrego.

Você vai lançar um livro contando a sua história, uma exposição que não foi bem aceita por parte de seus familiares. Quem da sua família é contrário ao livro e por que você acredita que a exposição pode trazer benefícios?
Isabella Moraes: Minha família é maravilhosa mas muitos ainda não superaram os traumas e, por isso, não aceitam essa exposição, o que eu entendo. Não tem nada sendo revelado por mim. O estrago foi feito há anos. Agora, estou apenas contando minha história, como eu vivi isso e, principalmente, como consegui superar. Vou, inclusive com meu livro, redimir minha família. Acredito que os benefícios serão grandes. Quem tem esses problemas psíquicos sempre tem vergonha de se expor.

O nome do seu livro é "Agora é viver", uma historia de codependência. Quando você acha que se sentiu pronta para a vida?
Isabella Moraes: Acredito que desde que meu filho nasceu . Ele foi crescendo e eu também. João Flavio, meu filho (16 anos), me deu força, coragem e me ensinou o que é o verdadeiro amor. Hoje aos 37 anos e após muitas lutas me sinto preparada para apenas viver. Ser feliz e cuidar de mim.

Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-04-17/me-sentia-tao-sozinha-e-abandonada-que-acabei-adoecendo-tambem.html
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sexta-feira, 12 de abril de 2013

BEBEDEIRA DE SÁBADO É MAIS PERIGOSA QUE BEBER TODO DIA

Bebedeira de sábado é mais perigosa do que beber todo dia


Pesquisa mostra que porres eventuais trazem mais risco cardíaco do que doses moderadas diárias


Foto: Getty Images
Pesquisa mostra que bebedeira eventual também traz risco cardíaco

A ressaca e o arrependimento não são as únicas consequências negativas trazidas pela bebedeira de final de semana. O coração corre riscos importantes, alerta uma pesquisa feita pela Escola de Medicina de Toulouse, na França.

O famoso “pé na jaca” mostrou-se até mais perigosos do que o hábito de beber diariamente pequenas doses. Para chegar aos resultados, os médicos avaliaram por dez anos mais de 11 mil homens de meia-idade (entre 45 e 60 anos), selecionados por relatarem beber aos menos uma vez por semana .

Leia mais: O DNA do alcoolismo dos jovens

Deste total, 2.405 eram moradores de Belfast, na Irlanda, que culturalmente bebem "pesado" – jargão na medicina que indica mais de cinco doses por ocasião em que a pessoa decide beber. Outros 7.373 pesquisados eram da França, em que o padrão de consumo alcoólico cultural também é alto, mas prevalece o padrão moderado, de uma dose por dia.

O grupo dos franceses até bebeu mais do que o de irlandeses – uma média geral de 32 gramas por dia contra 22,1 gramas diárias. Mas a segunda turma sofreu muito mais problemas cardíacos, mesmo descontando fatores como predisposição genética e obesidade.

Os dados foram divulgados na edição de novembro de 2010 do British Medical Journal, uma das publicações mais importantes do meio científico. Os “bebedores pesados” em Belfast somaram 9,4% dos entrevistados e entre os franceses esta parcela caiu para 0,5%. Nos irlandeses, a média de doenças cardíacas por 1.000 habitantes ficou em 5,63 pontos, duas vezes maior do que a taxa de 2,78 registrada entre os participantes da França.

Padrão brasileiro

Os novos achados servem de alerta para a população brasileira já que as pesquisas nacionais evidenciam que o padrão de consumo no Brasil é mais semelhante ao da Irlanda do que ao da França.

Foto: Getty Images Ampliar
Cérebro torna ainda mais difícil largar o cigarro e se alimentar corretamente, diz especialista
Fumar "só quando saio" também é arriscado

Em um levantamento nacional realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em todas as capitais, os pesquisadores concluíram que 40% da população masculina e 18% da feminina já beberam ao estilo “pesado”.

Quanto mais nova for a pessoa, mais recorrente é este estilo de consumo. Até mesmo os menores de 18 anos têm este hábito. Em uma pesquisa feita com 3 mil estudantes do ensino fundamental (1ª a 8ª série) de escolas particulares foi identificado que um em cada três (33%) já consumiu álcool de forma exagerada (mais de cinco latas de cerveja por exemplo) em uma mesma ocasião.

Colesterol de etanol

O beber "pesado" já foi apontado como gatilho de violência doméstica e no trânsito, responsável por acidentes que custam ao País R$ 390 por minuto, levando em conta apenas as internações dos acidentados que misturaram álcool de direção.

Agora os novos dados encontrados pela pesquisa francesa indicam que, além das causas externas, os porres também agravam problemas crônicos de saúde.

Os mecanismos que fazem grandes quantidades de álcool, ingeridas em uma única ocasião, serem tão letais para o músculo cardíaco ainda são pesquisados pelos médicos, mas já existem algumas evidências sobre essa atuação. A avaliação dos cientistas é de que quando o etanol é metabolizado, pode agredir as veias e atrapalhar a circulação, agindo de forma semelhante ao colesterol.

Na pesquisa feita pela Universidade francesa, por exemplo, os autores constataram que os “bebedores pesados” tinham a pressão mais alta nas segundas e terças-feiras, um indício de que a alta dosagem etílica também afeta a pressão, uma das origens dos infartos e acidentes vasculares cerebrais.

“A indústria do álcool aproveita cada oportunidade para imbuir no consumo uma imagem positiva, enfatizando seus efeitos benéficos. Mas as pessoas também precisam ser informadas sobre as consequências para a saúde de beber pesado”, escreveram os autores na conclusão do estudFinbto.

Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/bebedeira+de+sabado+e+mais+perigosa+do+que+beber+todo+dia/n1237994333992.html
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sexta-feira, 15 de março de 2013

USO ABUSIVO DE DROGAS ELEVA RISCO DE HOMICÍDIO

Transtorno psiquiátrico eleva risco de uma pessoa ser vítima de homicídio

Novo estudo mostrou que o distúrbio que mais eleva essa chance é aquele relacionado ao abuso de substâncias tóxicas

Um estudo publicado nesta terça-feira no site do periódico British Medical Journal (BMJ) sugere que pessoas que sofrem de algum transtorno psiquiátrico têm um risco maior de serem vítimas de homicídio. Segundo a pesquisa, feita por especialistas americanos e suecos, essa chance pode chegar a ser nove vezes maior dependendo do distúrbio apresentado pelo indivíduo — e o problema que parece ser mais perigoso nesse sentido é a dependência química.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Mental disorders and vulnerability to homicidal death: Swedish nationwide cohort study

Onde foi divulgada: site do periódico British Medical Journal (BMJ)

Quem fez: Casey Crump, Kristina Sundquist, Marilyn Winkleby e Jan Sundquist

Instituição: Universidade Stanford, EUA, e Universidade de Lund, Suécia

Dados de amostragem: 7.253 suecos adultos

Resultado: Em comparação com pessoas sem transtornos psiquiátricos, pessoas com algum desses problemas têm, no geral, um risco cinco vezes maior de ser vítimas de homicídio. Essa chance é nove vezes maior entre aquelas que têm problemas com abuso de substâncias tóxicas; 3,2 vezes maior entre quem tem algum transtorno de personalidade; 2,6 vezes maior entre quem tem depressão; 2,2 maior entre indivíduos com ansiedade; e 1,8 vez maior entre esquizofrênicos.
De acordo com os autores da pesquisa, embora a prática de violência por parte de indivíduos com transtornos mentais seja muito analisada, o risco de essas pessoas serem vítimas, e não autoras, de homicídios é algo “raramente estudado”. Para os pesquisadores, as conclusões desse novo trabalho podem ajudar a desenvolver estratégias mais eficazes para melhorar a segurança e a saúde de pacientes com algum distúrbio psiquiátrico.
Essa pesquisa foi desenvolvida na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, junto à Universidade de Lund, na Suécia. A equipe levou em consideração os casos de pacientes com transtornos psiquiátricos e os registros de homicídio entre 2001 e 2008 em toda a população de adultos suecos. Os distúrbios mentais foram agrupados nas seguintes categorias: transtorno de uso de drogas, esquizofrenia, transtornos de humor (incluindo bipolaridade e depressão), ansiedade e transtornos de personalidade.
O tamanho do risco — Ao todo, 7.253 indivíduos participaram da pesquisa. Desses, 615 morreram vítimas do homicídio, sendo que 141 deles, ou 22%, apresentavam algum transtorno psiquiátrico. Segundo o estudo, apresentar algum distúrbio aumenta, em média, em cinco vezes a chance de morte por homicídio em comparação com não ter o problema. O maior risco foi observado em pessoas com distúrbios relacionados ao abuso de substâncias tóxicas (um risco nove vezes maior). Também elevaram essas chances transtornos de personalidade (3,2 vezes), depressão (2,6 vezes), transtorno de ansiedade (2,2 vezes) e esquizofrenia (1,8 vez).
No estudo, os autores escrevem que existem possíveis explicações para essas conclusões, como o fato de haver uma alta prevalência de abuso de substâncias tóxicas entre pessoas com transtornos psiquiátricos, que é algo associado à violência. Indivíduos com esses problemas, independentemente do uso dessas substâncias, também tendem a ter mais contato com outras pessoas com distúrbios mentais e podem ser menos atentos a situações que representam perigo.
Em um editorial que acompanhou o estudo, Roger Webb e Jenny Shaw, pesquisadores do Instituto da Saúde Mental, do Cérebro e do Comportamento da Universidade de Manchester, na Grã-Bretanha, acreditam que a pesquisa deve fazer com que os médicos passem a avaliar todos os tipos de risco que pacientes com doenças mentais possam apresentar. E, entre esses tipos, é preciso considerar a chance de o paciente ser vítima de homicídio, bem como de ser o autor de um. “Esses riscos andam juntos, e pessoas com distúrbios mentais, assim como suas famílias, devem receber informações sobre todos os perigos”, escrevem.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/transtorno-psiquiatrico-eleva-risco-de-uma-pessoa-ser-vitima-de-homicidio

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sábado, 5 de maio de 2012

"Brasil espera o óxi sair de controle para levantar o sinal de emergência", diz Maierovich

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UOL
O óxi, mais forte e devastador do que o crack, segundo especialistas, entrou de vez para o noticiário após as apreensões se multiplicarem e se espalharem rapidamente pelo Brasil.
Até o final de abril, havia registros de ocorrência do óxi em 10 Estados –Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Goiás, Pernambuco, Mato Grosso do Sul , Piauí, São Paulo– e no Distrito Federal. Nas últimas duas semanas, a droga se espalhou para Paraná, Bahia e Rio Grande do Sul.
Em São Paulo, até o início do mês não havia ocorrido apreensões de óxi. De lá para cá, foram pelo menos cinco, a maior delas na segunda-feira (16), quando 5.000 pedras de óxi foram encontradas na favela de Heliópolis, na zona sul da capital.
O UOL Notícias entrevistou o professor e jurista Walter Maierovich, ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), para analisar, à luz da experiência com a popularização de outros tipos de drogas, a expansão do óxi e o papel que o poder público deve tomar.
UOL Notícias – Depois do ciclo da cocaína e do crack, o senhor acha que entraremos em breve no ciclo do óxi?
Walter Maierovich – Há dez anos, o governo de Bill Clinton (ex-presidente dos EUA) dizia que a cocaína não seria mais o problema, e sim as drogas sintéticas, porque custava muito para o cloridrato (pó da cocaína) chegar até os outros continentes, enquanto as drogas sintéticas poderiam ser feitas em qualquer lugar. Acreditava-se que o crime organizado controlaria toda essa rede de drogas sintéticas, mas o crime teve um problema de mercado, porque qualquer um conseguia fazer a droga sintética. Na Holanda, por exemplo, elas eram feitas em qualquer fundo de quintal. Mas essas drogas tinham muitas impurezas, e os problemas de saúde começaram a aparecer nos usuários. Resultado: a cocaína voltou a ser a rainha das drogas porque nela se consegue um grau maior de pureza. É uma questão de mercado. Todo mundo está sempre tentando inventar uma nova droga. Em relação ao óxi, é uma droga barata, que usa como insumos produtos fáceis de encontrar. Acredito que o óxi vai se disseminar entre um mercado consumidor de baixa renda, das classes C, D e E.
UOL Notícias – O crack também era utilizado quase que exclusivamente pelas classes populares, mas se espalhou para a classe média.
Maierovich – O óxi vai pegar a classe média baixa também. Agora, diante desse contexto, é preciso entrar com campanhas esclarecedoras dos efeitos dessa droga, campanhas de redução dos riscos. Em São Paulo houve uma migração dos usuários da Cracolândia para vários outros pontos da cidade, e não houve políticas adequadas para lidar com isso.
UOL Notícias – O tráfico evitava comercializar o crack porque havia uma ideia de que a droga matava rapidamente. Quando os traficantes descobriram que as mortes dos usuários aconteciam por fatores externos ao consumo da droga, e não pelo uso da droga em si, começaram a vender crack também. O óxi, além de ser mais barato, parece que mata o usuário em pouco tempo, segundo alguns especialistas. É vantajoso para o tráfico vender óxi?
Maierovich – Para o tráfico não é interessante que a sua droga mate o usuário. Os alertas, as estatísticas são um incentivo para que as pessoas não usem drogas que matam. Mas é necessário que haja uma campanha forte mostrando que o óxi mata.
UOL Notícias – Como o senhor avalia o enfrentamento ao óxi feito pelos órgãos federais?
Maierovich – Não há políticas de prevenção. Na Europa, assim que surge uma droga nova, eles acendem um sinal de emergência e se mobilizam para impedir a expansão. No Brasil, estão esperando o óxi sair do controle para levantar o sinal de emergência. Está na hora de acender a luz, traçar políticas nos três níveis de governo para conter o avanço da droga. Aqui não há políticas públicas, não há prevenção, nem controle da venda de insumos químicos. Nos países onde há a matéria-prima da folha de coca não há indústrias químicas, e eles precisam de éter, acetona, entre outros insumos para fazer a pasta base. E da onde vêm esses produtos? Do Brasil! Nosso país tem uma culpa enorme nesse processo.
UOL Notícias – O que precisaria ser feito para se conter o avanço do óxi?
Maierovich – Há “n” coisas a fazer. Primeiro, precisa de política pública, o que não temos. Fala-se que o Brasil tem fronteiras enormes, mas as drogas entram sempre pelos mesmos lugares, pelas mesmas estradas e rotas. É preciso ter controle desses lugares. Também se deve observar as contas bancárias em determinados municípios e ver se as transações são compatíveis com a capacidade do município. Tem que se usar a inteligência. Depois, há sempre a questão da corrupção, que precisa ser resolvido.
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